Polícia

Investigado pela Federal, ex-chefe de gabinete de Cettolin tenta na Justiça censurar vereadores

Micael Carissimi entrou com interpelação judicial contra Cassio Fachi, Gilberto Perin e Leandro Delazeri
02/02/2026 Em Garibaldi
Portal Adesso

     Investigado pela Polícia Federal por corrupção e recebimento de propina, o ex-chefe de gabinete do ex-prefeito Antônio Cettolin (MDB), Micael Carissimi, membro do partido na cidade, voltou a acionar a Justiça. Desta vez, o objetivo é tentar impedir que vereadores de Garibaldi citem seu nome e seus atos durante pronunciamentos na tribuna da Câmara Municipal. A informação da interpelação chegou ao nosso conhecimento por membros da Câmara Municipal que pediram para não se identificarem.

     Carissimi ingressou com uma interpelação judicial, contra três vereadores da situação: Cassio Fachi (ex-presidente do Legislativo), Gilberto Perin e Leandro Roque Delazeri, todos do PP. O pedido judicial tem como foco as falas feitas pelos parlamentares durante a sessão ordinária do dia 17 de novembro de 2025, quando os vereadores mencionaram o nome de Micael Carissimi em meio aos debates sobre a Operação Lamaçal, deflagrada pela Polícia Federal no dia 11 de novembro.

🔎 O que é a Operação Lamaçal

     Segundo informações citadas na própria ação, a Operação Lamaçal apura crimes contra a administração pública e lavagem de dinheiro, envolvendo o desvio de recursos federais do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS) destinados ao município de Lajeado, após as enchentes de maio de 2024. A operação cumpriu 35 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de até R$ 4,5 milhões em bens e ativos, com ações em diversos municípios do Rio Grande do Sul, incluindo Garibaldi, Carlos Barbosa, Guaporé, Bento Gonçalves, Encantado, Muçum, São Leopoldo, Novo Hamburgo e Porto Alegre.

     Na petição, conforme informações, Micael sustenta que não possui qualquer relação com a Operação Lamaçal, afirmando que não tem vínculo com o Governo Federal, com o FNAS nem com o município de Lajeado. A defesa classifica as falas dos vereadores como “mentirosas” e “ofensivas”, alegando danos morais e à reputação do ex-chefe de gabinete de Antônio Cettolin.

     Na ação, Carissimi solicita que os vereadores: Parem imediatamente de fazer qualquer referência, citação ou alusão ao seu nome vinculada à Operação Lamaçal; Apresentem retratação pública, caso entendam necessário, inclusive na tribuna e nas redes sociais; Suspendam comentários futuros, sob o argumento de que estariam extrapolando a imunidade parlamentar.

🏛️ Imunidade parlamentar impede censura

     Mesmo com o pedido judicial, especialistas são unânimes: vereadores possuem imunidade parlamentar material, garantida pela Constituição, que assegura liberdade de expressão no exercício do mandato e durante sessões ordinárias, especialmente na tribuna. Na prática, isso significa que a interpelação não pode impedir discursos, nem silenciar parlamentares, tampouco retirar o direito de debate político dentro da Casa Legislativa

📌 Investigação anterior segue sendo fato público

     Embora Micael Carissimi negue envolvimento na Operação Lamaçal, ele é investigado desde 2018 na Operação Caimenta, também da Polícia Federal, que apura suspeitas de corrupção e pagamento de propina.

     O fato de o investigado afirmar que “não está envolvido” não significa arquivamento, absolvição ou inexistência de apuração. Além disso, ainda que não haja indiciamento ou julgamento em nova operação, diligências da Polícia Federal ocorreram em municípios da região, o que motivou as manifestações dos vereadores. Ao levar o caso à Justiça, Micael Carissimi acabou reacendendo o debate político e ampliando a repercussão pública sobre investigações que seguem sob apuração federal.

     Em Garibaldi, a disputa agora ultrapassa os limites do plenário e entra no campo jurídico — mas, ao menos por ora, a tribuna segue livre.





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