Lula manda PT Gaúcho apoiar Juliana Brizola e "Racha" o partido no Estado
A disputa interna no Partido dos Trabalhadores (PT) no Rio Grande do Sul explodiu de vez e já é tratada como uma das maiores crises políticas da sigla no Estado nos últimos anos. De um lado, a direção nacional — alinhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva — pressiona por uma aliança com o PDT, indicando apoio à pré-candidatura de Juliana Brizola ao governo gaúcho. Do outro, lideranças históricas do PT gaúcho reagem e se recusam a abrir mão de candidatura própria.
A tensão aumentou após a divulgação de uma orientação do diretório nacional, que defende uma frente ampla de centro-esquerda como estratégia para fortalecer o projeto de reeleição de Lula. O documento é claro ao apontar que a aliança no Estado deve ser construída “sob a liderança de Juliana Brizola”. Nos bastidores, a decisão é vista como uma imposição direta de Brasília — e provocou forte reação no Rio Grande do Sul.
O PT gaúcho tem outro plano: lançar o ex-presidente da Conab, Edegar Pretto, como candidato ao Palácio Piratini. A candidatura já vinha sendo construída internamente e conta com apoio de setores expressivos do partido no Estado. Diante da pressão nacional, Pretto pediu a convocação do diretório estadual para discutir o impasse e reforçou a autonomia da sigla no RS. “A instância partidária no Estado é soberana”, afirmou. A resistência ganhou força em reunião e atos políticos realizados nesta semana, que escancararam o racha interno.
Os ex-governadores Tarso Genro e Olívio Dutra participaram das articulações e defenderam publicamente a manutenção da candidatura própria. Tarso foi direto ao criticar uma possível intervenção nacional, classificando a hipótese como desrespeito à militância gaúcha. Já Olívio Dutra reforçou o apoio a Pretto e defendeu a construção de uma candidatura própria dentro do campo da esquerda. O recado foi claro: o PT do Rio Grande do Sul não aceita decisões “de cima para baixo”.
Aliado histórico do PT no Estado, o PSOL deixou claro que não aceita integrar uma chapa liderada pelo PDT. Lideranças da sigla afirmam que o acordo atual foi construído ao longo de meses e não pode ser alterado. “O nosso acordo é apoiar Edegar Pretto. Não vamos apoiar uma chapa encabeçada pelo PDT”, declarou o vereador Pedro Ruas, uma das principais lideranças do partido no Estado.
Além da disputa interna, a possível aliança com o PDT enfrenta resistência por outro motivo: a relação do partido com o atual governo estadual. Setores do PT criticam o fato de o PDT ter integrado a base do governador Eduardo Leite nos últimos anos, o que gera desconfiança dentro da esquerda. Mesmo assim, a direção nacional insiste que a união é necessária para aumentar a competitividade eleitoral, já que o PT acumula derrotas recentes no Estado.
O impasse ainda está longe de uma solução. O diretório estadual deve se reunir para tomar uma decisão oficial, enquanto a pressão de Brasília continua. O desfecho dessa disputa pode não apenas redefinir o papel do PT nas eleições de 2026 no Rio Grande do Sul, mas também expor os limites da influência nacional sobre os diretórios estaduais.
