Política

PT abandona candidatura própria após 44 anos e muda jogo eleitoral

Desistência de Edegar Pretto para apoiar Juliana Brizola rompe tradição inédita
09/04/2026
Portal Adesso

     Após a intervenção da Executiva Nacional do PT, o até então pré-candidato ao governo do Estado, Edegar Pretto (PT), em coletiva no final da manhã desta quinta-feira (08), reconheceu o movimento e disse que não irá contestar o que chamou de 'orientação' da nacional. “Nós não faremos nenhum mobilização no PT para fazer o enfrentamento”, afirmou ele, sobre a orientação nacional.

     Pela primeira vez desde a redemocratização, o Partido dos Trabalhadores (PT) não terá candidato próprio ao governo do Rio Grande do Sul. A decisão encerra uma sequência histórica de 44 anos com presença ininterrupta da sigla na disputa pelo Palácio Piratini e já provoca impacto direto no cenário político estadual.

     A mudança foi consolidada após a desistência de Edegar Pretto, que abriu mão da pré-candidatura atendendo à orientação da direção nacional do partido. O movimento faz parte de uma estratégia mais ampla de alianças e resultou no apoio à pré-candidatura de Juliana Brizola, do PDT, em uma tentativa de unificar forças no campo progressista. A decisão surpreende, especialmente porque Pretto vinha articulando sua candidatura no estado. Ao justificar a mudança, ele indicou que a estratégia eleitoral foi definida em nível nacional, priorizando uma composição considerada mais competitiva. Nos bastidores, inclusive, seu nome é cogitado para compor a chapa como vice, reforçando o peso político do acordo.

     Desde 1982, o PT sempre apresentou candidatos próprios ao governo gaúcho, acumulando uma trajetória marcada por protagonismo político. Nesse período, a sigla conquistou duas vitórias importantes: com Olívio Dutra, eleito em 1998, e Tarso Genro, vencedor em 2010. Ao longo das 11 eleições disputadas, o partido lançou nomes como Olívio Dutra, Tarso Genro, Clóvis Ilgenfritz da Silva, Miguel Rossetto e o próprio Edegar Pretto, mantendo presença constante no debate político do estado. No entanto, o desempenho recente já indicava um cenário mais desafiador: nas eleições de 2018 e 2022, o PT não conseguiu chegar ao segundo turno.

     A ausência de candidatura própria em 2026 representa mais do que uma decisão pontual — sinaliza uma mudança estratégica profunda. Ao abrir mão do protagonismo direto, o partido aposta na construção de alianças como caminho para manter relevância e competitividade no cenário eleitoral. Com isso, a disputa pelo governo do Rio Grande do Sul ganha um novo desenho, marcado por articulações mais amplas e maior imprevisibilidade. O movimento do PT pode redefinir forças políticas no estado e influenciar diretamente os rumos da eleição.



MAIS NOTÍCIAS