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Prefeitura de Garibaldi “Se Livra” da empresa Arki após 17 anos

Ligada a suposto esquema de corrupção no Vale do Taquari prestadora de serviços atuava na cidade desde 2009
29/04/2026 Em Garibaldi
Portal Adesso

     Depois de quase duas décadas atuando dentro da estrutura da Prefeitura Municipal de Garibaldi, a empresa Arki Serviços perdeu a nova licitação para terceirização de mão de obra no município. Na concorrência em que participou, a Arki apresentou preços superiores das demais empresas e com isso, não se classificou. Com a empresa vencedora assumindo os serviços e assinando o novo contrato, a administração municipal de Garibaldi vai poupar cerca de R$ 2 milhões na contratação do mesmo serviço.

     A saída da ARKI ocorre logo após o escândalo revelado pela Operação Lamaçal, da Polícia Federal, que colocou a empresa que tem sede em Muçum, no Vale do Taquari, no centro de uma investigação sobre suspeitas de fraude em licitações, direcionamento de contratos e desvio de recursos públicos no Rio Grande do Sul.  A perda da licitação em Garibaldi, encerra um ciclo iniciado em 2009, quando a Arki passou a fornecer funcionários terceirizados para diversas áreas da administração municipal. Ao longo dos anos, ela esteve presente em praticamente todos os setores operacionais da prefeitura, oferecendo mão de obra para serviços de limpeza urbana, manutenção, cozinha, recepção, zeladoria, monitoria escolar e obras. Entre os cargos terceirizados estavam funções como roçador, servente de limpeza, pedreiro, pintor, auxiliar de cozinha, monitor escolar, recepcionista e trabalhadores de manutenção geral.

     A derrota da Arki na nova licitação acontece justamente no momento em que a empresa enfrenta a maior crise de sua história. A proprietária da Arki, Lorena Mercalli, é  apontada nas investigações da Polícia Federal como uma das figuras centrais da Operação Lamaçal que foi desenrolada na prefeitura de Lajeado. Lorena, assim como o ex-prefeito de Lajeado, Marcelo Caumo ( União Brasil) chegou a ser presa temporariamente durante a ofensiva policial que abalou o cenário político e empresarial do Vale do Taquari. A investigação apura suspeitas de corrupção, fraudes em licitações, superfaturamento e desvios de recursos públicos, incluindo verbas destinadas à reconstrução de municípios atingidos pelas enchentes no Estado.

     Além da empresária, a operação também teve como alvo agentes públicos e políticos de Garibaldi, ex-secretários do governo de Antônio Cettolin (MDB) e familiares. O caso ganhou enorme repercussão em todo o Rio Grande do Sul por envolver contratos milionários e possíveis irregularidades em serviços terceirizados mantidos há anos com administrações municipais. Na Terra do Champanha, um dos contratos firmados entre município e empresa é o de nº 63/2019, feito durante a gestão do ex-prefeito Antônio Cettolin. O acordo previa prestação de serviços de recepcionistas para secretarias municipais e começou com valor inicial de R$ 744 mil. Com o passar do tempo, o contrato recebeu aditivos financeiros e renovações. Segundo os documentos, houve acréscimo de R$ 37,2 mil ainda em 2019 e depois mais R$ 124 mil em 2020, fazendo o valor atualizado atingir R$ 959.218,12. Nos dias atuais, o contrato entre Garibaldi e Arki era de mais de R$ 1 milhão.

     Assim como em Garibaldi, a Prefeitura de Lajeado também abriu nova licitação para substituir a empresa terceirizada. No pregão eletrônico realizado recentemente em Lajeado, a empresa APL Apoio Logístico LTDA, de Porto Alegre, apresentou a melhor proposta e arrematou o processo por R$ 33,6 milhões. Caso seja homologada nas próximas etapas, a companhia assumirá os serviços antes executados pela Arki. Em Lajeado, por exemplo, estimativas apontam que os contratos firmados entre 2009 e 2025 pela ARKI ultrapassaram R$ 350 milhões em movimentação financeira. Segundo informações do edital, o novo contrato em Lajeado prevê até 551 postos de trabalho distribuídos entre diversas secretarias municipais, incluindo Saúde, Educação, Obras, Administração e Desenvolvimento Social. 

     Já em Garibaldi, a empresa permaneceu por 17 anos consecutivos prestando serviços terceirizados para a prefeitura, mantendo atuação estratégica em setores essenciais da máquina pública. Agora, a derrota na nova licitação marca o fim de uma longa era da terceirizada dentro da administração local. A empresa vencedora em Garibaldi também foi a APL Apoio Logístico LTDA, que já presta serviços para a Concessionária Caminhos da Serra Gaúcha - CSG e também já prestou serviços para a Prefeitura de Bento Gonçalves, assumindo contratos emergenciais de terceirização em 2020.

     Até agora, a administração de Garibaldi não homologou a licitação de serviços terceirizados e também não se sabe em qual data a nova empresa vai assumir os serviços. Enquanto isso, a Arki segue atuando.





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