Defesa Civil erra previsão de enchente e Eduardo Leite apaga vídeo em Rede Social
O que era para ser uma noite de tranquilidade terminou em mais um cenário de tensão no Vale do Taquari. Horas depois de o governador Eduardo Leite publicar um vídeo afirmando que, conforme as projeções disponíveis naquele momento, o Rio Taquari não deveria atingir a cota de inundação, a realidade mudou de forma dramática. Durante a madrugada, o rio avançou acima do esperado, provocou alagamentos, mobilizou equipes de emergência e obrigou famílias a deixarem suas casas. Pouco tempo depois, o vídeo desapareceu das redes sociais do governador.
A sequência dos acontecimentos gerou forte repercussão e abriu uma onda de questionamentos sobre a confiabilidade das previsões utilizadas pelo Estado justamente em um dos momentos mais críticos para a região. A situação ganhou ainda mais peso quando a própria Defesa Civil Estadual reconheceu publicamente que os modelos hidrológicos falharam ao estimar o comportamento do Rio Taquari.
O reconhecimento foi feito pelo coordenador estadual da Defesa Civil, tenente-coronel Luciano Boeira. Segundo ele, a modelagem hidrológica utilizada pelo Estado, fornecida por uma empresa terceirizada, subestimou tanto o volume de chuva quanto a velocidade de resposta dos rios e arroios que alimentam o Taquari.
Na prática, isso significou que milhares de moradores foram dormir acreditando que o risco de uma grande enchente havia diminuído. Poucas horas depois, o cenário mudou completamente. Sirenes, remoções de famílias, ruas alagadas e uma nova corrida contra o tempo passaram a dominar a madrugada em diversas cidades do Vale. De acordo com Boeira, o monitoramento meteorológico vinha sendo realizado havia cerca de dez dias e, durante esse período, a Defesa Civil emitiu cinco atualizações do aviso hidrometeorológico, documento que orienta as ações preventivas dos municípios.
O problema surgiu quando a intensidade da chuva ultrapassou todos os cenários considerados pelos modelos. Enquanto as projeções trabalhavam com acumulados de até 150 milímetros, algumas áreas registraram aproximadamente 200 milímetros, principalmente nas cabeceiras dos rios Carreiro e das Antas, responsáveis pela formação do Rio Taquari. "O nosso maior problema deve-se muito a isso. Choveu mais do que o esperado", afirmou o coordenador.
Mas o volume de chuva não foi o único fator que surpreendeu as equipes técnicas. Segundo Boeira, os próprios sistemas hidrológicos utilizados para prever a resposta do rio também apresentaram erro."Nossos modelos hidrológicos referentes às respostas subestimaram as respostas que estão acontecendo agora", admitiu.
Até a noite de terça-feira (21), os boletins técnicos ainda não apontavam inundação para o Vale do Taquari. Foi com base nessas informações que o governador gravou e divulgou um vídeo afirmando que o rio não deveria atingir a cota de inundação. Entretanto, durante a madrugada, novas medições mudaram completamente a previsão. A partir desse momento, a Defesa Civil iniciou contato emergencial com prefeitos da região para acelerar medidas de preparação. Logo nas primeiras horas da manhã, o sistema Defesa Civil Alerta enviou notificações para municípios como Encantado, Lajeado, Estrela e Santa Tereza.
Além dos impactos materiais, o episódio reacendeu o trauma vivido pela população desde as enchentes históricas que atingem o Vale do Taquari desde 2023. Cada novo alerta revive o medo de perder casas, bens e a sensação de insegurança diante da força das águas.
