Justiça anula júri que absolveu acusado de matar Luiza Guerra em Carlos Barbosa
Desembargadores da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, reconheceram nesta quinta-feira (24), a nulidade do julgamento em que absolveu o réu Dirceu Raimundi, acusado pela morte da esposa Luiza Guerra, três dias após o casamento em 2015 na cidade de Carlos Barbosa.
A informação foi divulgada pela advogada da família Guerra, Dra, Sandra da Silva Pinto que explicou argumentos que levaram a anulação na segunda instância judicial. Este caso se arrasta a pelo menos nove anos, quando Luiza Guerra, de 63 anos, foi morta, fato que na época abalou a comunidade barbosense. Conduzido pelo juíz Felipe Sandri, o júri que foi anulado, ocorreu em 31 de julho de 2024, depois de mais de 14 horas de debates e sentença. Durante o julgamento, Dirceu afirmou que a morte de Luiza ocorreu durante um ato sexual e reiterou que não havia interesse nas posses da ex-companheira, argumentando que não era culpado pelo ocorrido.
O motivo da anulação teria sido uma nulidade processual envolvendo a formulação dos quesitos obrigatórios, especialmente o chamado quesito absolutório genérico. Conforme a advogada da família, "Havia uma prova da esganadura, haja vista todas as lesões sofridas pela Luiza. Seria impossível que isso fosse fruto de um acidente ou que ele fosse inocente, uma coisa totalmente contraria a lógica", disse durante entrevista.
Em razão disso, a família recorreu ao Tribunal de Justiça - TJ/RS, que anulou o julgamento feito no Fórum de Carlos Barbosa e ordenou um novo julgamento.
Relembre o caso
O crime ocorreu há quase uma década, quando Luiza Guerra foi encontrada morta em sua casa, gerando forte comoção na cidade. A perícia constatou que a causa da morte foi asfixia mecânica — provocada pelas mãos do agressor, conforme laudo apresentado na época. A acusação apontou Dirceu Raimundi, ex-companheiro da vítima, como o principal suspeito. A investigação do caso se arrastou por anos até que, em 2024, Raimundi foi levado a júri popular. Durante o julgamento, a defesa sustentou que a morte teria sido acidental, enquanto o Ministério Público defendeu a tese de homicídio doloso. Por decisão da maioria dos jurados, Raimundi foi absolvido. O veredito, no entanto, foi contestado em instância superior, o que levou à anulação recentemente deferida pela Justiça.
Novo julgamento e repercussão
Com a anulação oficializada, um novo julgamento deverá ser marcado nos próximos meses. A decisão reacendeu debates sobre a condução do júri anterior e reforça o clamor por justiça por parte de familiares e amigos de Luiza. O caso permanece sensível à opinião pública local, sendo lembrado por sua gravidade e pelo impacto emocional causado à comunidade barbosense. O Ministério Público deverá se manifestar favorável à nova sessão do Tribunal do Júri, enquanto a defesa ainda não confirmou se recorrerá da anulação.
O processo deve seguir os trâmites legais e a expectativa é de que o novo julgamento ocorra só no próximo ano, oferecendo à sociedade um desfecho judicial definitivo.
