Banco Vermelho chega a Garibaldi para gritar por mulheres silenciadas
Um banco pintado de vermelho, instalado em frente à Delegacia de Polícia Civil de Garibaldi, carrega muito mais do que tinta: ele escancara uma ferida aberta na sociedade. O Projeto Banco Vermelho, trazido pela Associação Elas Garibaldi, chegou ao município como um grito silencioso – mas impossível de ignorar – contra a violência que tira a vida de milhares de mulheres no Brasil.
A ação faz parte da campanha Agosto Lilás, dedicada à conscientização pelo fim da violência doméstica. E o cenário escolhido para a instalação não poderia ser mais simbólico: a Delegacia, onde 125 ocorrências de violência contra a mulher já foram registradas somente neste ano, incluindo um caso de feminicídio até o dia 20 de agosto. “Não é apenas um banco pintado de vermelho. É o sangue das mulheres que grita por justiça”, declarou emocionada a coordenadora da Associação Elas, Lisiane Carlotto Scomazzon. Segundo ela, o banco é um chamado urgente para que a sociedade não normalize a violência e olhe para as vítimas que ainda vivem sob o silêncio do medo. “A Associação Elas, comprometida com a vida, dá voz às mulheres que sofrem caladas”, completou.
O projeto, que já é referência mundial, tem como proposta chocar, provocar e lembrar: o feminicídio é real e está mais próximo do que muitos imaginam. De acordo com o delegado Clóvis Rodrigues de Souza, a escolha do local reforça a responsabilidade da Polícia Civil em proteger as vítimas e enfrentar o problema de forma ativa. “Os dados são alarmantes. E precisamos dar uma resposta firme”, afirmou.
Um problema que sangra o Brasil
O Brasil é o 5º país que mais mata mulheres no mundo.
A cada seis minutos, uma mulher é violentada no país.
Em 90% dos feminicídios, o autor é um homem próximo da vítima — muitas vezes o próprio companheiro.
A instalação do Banco Vermelho em Garibaldi não é decoração urbana. É um memorial vivo de todas as que não tiveram chance de pedir ajuda — e um alerta para que nenhuma mulher seja a próxima estatística.
As imagens da ação mostram as voluntárias da Associação Elas e a equipe da Polícia Civil reunidas em torno do banco, unidas por um objetivo comum: fazer do silêncio, voz. E da dor, resistência.
