Geral

Plano sugere proibição de construção de condomínios no Vale dos Vinhedos

Encontro que debateu regras foi realizado no 8 da Graciema e sugestões foram apresentadas
27/08/2025 Em Bento Gonçalves
NB Notícias

     Foi apresentada na noite desta terça-feira (26), na sede da comunidade 8 da Graciema, no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, a proposta com as sugestões do Plan-Vale para a proteção e o desenvolvimento sustentável do Vale dos Vinhedos pelos próximos 25 anos. Cerca de 60 pessoas acompanharam a reunião, entre moradores da comunidade, políticos e lideranças regionais, quando foram exibidas as principais diretrizes que devem orientar o futuro do território enoturístico mais famoso da Serra Gaúcha. Entre os destaques apresentados está a proibição da construção de condomínios horizontais ou verticais.

     O coordenador do plano, o arquiteto Vinícius Ribeiro, explicou que o documento foi elaborado após workshops com especialistas e audiências públicas e agora está sendo entregue uma versão consolidada do plano às prefeituras para apreciação da comunidade. Os interessados terão 20 dias para analisar tudo o que foi sugerido e apresentar propostas de alterações ou inclusões em uma nova e definitiva audiência pública. Ele lembra que a escuta pública continuará até a entrega final, pois o Plan-Vale se propõe a ser um processo participativo: “Não estamos diante de um plano pronto, mas de uma base técnica que começa a tomar forma e que precisa do olhar sensível de quem vive o território”, destacou o coordenador.

O que será proibido

     A proposta do Plan-Vale não se limita a recomendações – ela prevê restrições para atividades consideradas incompatíveis com o caráter paisagístico e cultural da região. O documento de sugestões (apresentado em audiência pública e disponibilizado no blog do projeto) elenca empreendimentos industriais e de infraestrutura pesada que devem ser vetados no território do Vale, a menos que façam parte da cadeia vitivinícola. Entre as proibições estão:

·       Grandes indústrias e usinas: indústrias de transformação, usinas de asfalto, termoelétricas, refinarias, curtumes e frigoríficos. Essas atividades possuem alto potencial poluidor e impacto visual, incompatíveis com o caráter agrícola e turístico da região.

·       Infraestruturas de grande porte não integradas ao território: centros logísticos de grande escala, postos de combustíveis fora das áreas urbanas consolidadas, arenas esportivas e parques de diversões de grande porte.

·       Lazer de alto impacto: boates, grandes casas de shows ou qualquer empreendimento com emissão sonora elevada e poluição luminosa. O plano prioriza o turismo de pequena escala e experiências de enoturismo imersivo.

·       Empreendimentos imobiliários incompatíveis: condomínios horizontais ou verticais em áreas rurais de preservação e loteamentos que comprometam corredores visuais e mosaicos produtivos. A proibição desse tipo de empreendimento visa evitar que grandes condomínios residenciais ou de hospedagem transformem a paisagem rural e dificultem o acesso do público ao território vitivinícola.

·       Usos agrícolas agressivos: monoculturas intensivas com alto uso de defensivos químicos e criação industrial de animais em escala intensiva, que podem contaminar o solo e comprometer a sustentabilidade do terroir.

        Essas restrições têm como objetivo impedir a ocupação desordenada do Vale dos Vinhedos. Ao banir empreendimentos que destoam da vocação vitivinícola e turística da região, o Plan-Vale busca reduzir pressões imobiliárias e preservar a identidade cultural.

     O plano também recomenda mecanismos de compensação ambiental para empreendimentos de baixo impacto, e a criação de um órgão gestor que acompanhe a implementação das medidas e garanta a fiscalização permanente. Esse órgão deverá contar com representantes das três prefeituras (Garibaldi, Bento Gonçalves e Monte Belo do Sul), da Aprovale, do Ministério Público e da comunidade.

 


MAIS NOTÍCIAS