Polícia Federal faz busca e apreensão em Garibaldi e mira ex-secretários de Cettolin
Garibaldi voltou a ser palco de uma grande operação da Polícia Federal. Em uma ação que lembra os episódios de 2018, durante o Governo Cettolin, agentes federais amanheceram nesta terça-feira (11) cumprindo mandados de busca e apreensão em residências e escritórios ligados a ex-integrantes que estavam no último mandato de Antônio Cettolin (MDB). A ofensiva faz parte da Operação Lamaçal, que apura desvios de recursos do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS) destinados à reconstrução de cidades atingidas pelas enchentes do ano passado.
Segundo apurado, dois ex-secretários municipais e um empresário ligado à Arki estão entre os investigados. As equipes da PF permaneceram por horas em uma casa na Rua Júlio de Castilhos, onde recolheram documentos e equipamentos eletrônicos. Outro endereço vistoriado fica próximo à barragem de Garibaldi, onde mora um ex-agente público e ainda na casa de um familiar. No Centro Profissional Independência, no coração da cidade, um escritório vinculado aos mesmos investigados também foi alvo da ação, resultando na apreensão de computadores e pastas cheias de documentos.
Ainda durante a manhã, ex-servidores e o empresário foram conduzidos em camburões até a sede da Polícia Federal, onde prestaram depoimento. Os nomes dos investigados ainda não foram oficialmente divulgados, mas a reportagem apura detalhes sobre as ligações políticas e empresariais envolvidas.
🔍 A Operação
Batizada de “Lamaçal”, a operação é resultado de uma investigação conjunta entre a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU). O foco está em fraudes na contratação de serviços terceirizados pela prefeitura de Lajeado (RS), em contratos que somam cerca de R$ 120 milhões. De acordo com a PF, a prefeitura dispensou licitação alegando situação de calamidade pública causada pelas enchentes, mas os recursos federais teriam sido desviados para empresas e agentes públicos.
Ao todo, 35 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Lajeado, Muçum, Encantado, Garibaldi, Guaporé, Carlos Barbosa, São Leopoldo, Novo Hamburgo e Porto Alegre. A Justiça determinou ainda o bloqueio de ativos de até R$ 4,5 milhões e o sequestro de 10 veículos pertencentes aos investigados.
Eles poderão responder por desvio de verbas públicas, fraude em licitações e lavagem de dinheiro.
Enquanto isso, em Garibaldi, o clima é de tensão e expectativa. A população acompanha de perto o desenrolar das investigações — e aguarda para saber quem são, afinal, os nomes por trás do novo escândalo político que volta a assombrar a cidade.
