Polícia

Investigação aponta que empresa de secretários de Cettolin foi criada em 2023. Já em 2024 assinou contrato de R$ 2,4 milhões

Em 2025, a Plati Serviços recebeu aditivo e renovou o contrato com a prefeitura de Lajeado com dispensa de licitação
13/11/2025 Em Garibaldi
Portal Adesso - Foto: Divulgação

     A cada dia vem à tona novas informações da Operação Lamaçal realizada pela Polícia Federal em Garibaldi e outros municípios nesta terça-feira (11). A operação contra o desvio de dinheiro durante a enchente em Lajeado, tem como ponto de partida um contrato firmado entre a Plati Serviços, empresa que tem sede no Centro Profissional Independência em Garibaldi com a prefeitura de Lajeado, no Vale do Taquari.

     Conforme foi apurado, a Plati pertence a um ex-secretário municipal de Garibaldi e a investigação aponta que outro ex-secretário e familiares são sócios ocultos da empresa. Durante a enchente, a empresa de Garibaldi disponibilizou sete funcionários para atuar no atendimento às vítimas da enchente. Um número inferior ao montante disponibilizado no início do contrato. Logo após a tragédia de 2024, a Plati havia disponibilizado 32 funcionários para os referidos atendimentos. Ainda conforme a investigação, a empresa quando criada estava em nome de um familiar do ex-secretário e depois teria sido transferida para uma terceira pessoa.

     Em documentos analisados pela PF, a Plati possivelmente funciona como um braço da empresa Arki que presta serviços a diversas prefeituras municipais, ligação que configura indício de ocultação de patrimônio. Em julho de 2024, logo após a enchente que devastou o Vale do Taquari, a empresa assumiu contrato emergencial de R$ 2,4 milhões para fornecer assistentes sociais, psicólogos, educadores e motoristas. Na ocasião, a Plati chegou a disponibilizar 32 profissionais. No entanto, meses depois, esse número caiu para apenas sete — dois assistentes sociais, três psicólogos, um educador social e um motorista.

     Em 2025, a empresa renovou o contrato com dispensa de licitação e recebeu aditivos sucessivos, alterando valores e prazos. O terceiro aditivo, assinado em 21 de julho de 2025, reduziu o teto mensal para R$ 134,5 mil e limitou o quadro de 35 para 11 servidores. O contrato segue vigente até janeiro de 2026.

     Os dados do portal da transparência de Lajeado mostram uma sequência de pagamentos robustos à empresa.

     Nos meses mais críticos de 2024, os valores chegaram a R$ 393,5 mil, caindo gradualmente ao longo de 2025.

Veja os repasses oficiais:

2024


Julho: R$ 155.176,48

Agosto: R$ 238.046,00

Setembro: R$ 238.046,00

Outubro: R$ 188.735,48

Novembro: R$ 276.278,60

Dezembro: R$ 393.507,48


2025

Janeiro: R$ 249.149,06

Fevereiro: R$ 219.319,05

Março: R$ 189.833,70

Abril: R$ 144.977,31

Maio: R$ 128.946,84

Junho: R$ 118.707,91

Julho: R$ 102.946,32

Agosto: R$ 102.561,59

Setembro: R$ 97.067,46

     Apesar da redução recente, a PF investiga se houve superfaturamento nas fases iniciais e favorecimento indevido durante a dispensa de licitação.

     Os contratos emergenciais foram firmados sob o argumento da calamidade pública, mas a empresa sequer existia durante as enchentes anteriores, o que acende um alerta sobre planejamento prévio e favorecimento político. Fontes próximas à investigação garantem que todo esquema partiu da ligação  da Arki, na qual um ex-secretário de Garibaldi foi contratado ainda no governo do ex-prefeito Antônio Cettolin, quando deixou a administração e integrou a empresa. Este mesmo ex-secretário criou a Plati e seguiu trabalhando na Arki, mínimo estranho, atuar em uma empresa que é concorrente da aquela que atua.A Polícia Federal confirmou que os crimes apurados incluem desvio de verbas públicas, fraude em licitações, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

     A operação segue com mandados de busca, bloqueio de bens e sequestro de veículos, totalizando mais de R$ 4,5 milhões em recursos sob investigação. Com o avanço da Operação Lamaçal, os investigadores acreditam que novas empresas ligadas ao mesmo grupo político possam surgir como “braços” do esquema de terceirização irregular.

     O caso promete novos desdobramentos nas próximas semanas e deve pressionar ainda mais ex-integrantes do governo Cettolin, que já vinham sendo citados em outras investigações federais.




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