Demolição põe fim à presídio que assombrou Bento Gonçalves
Chegou ao fim uma das estruturas mais polêmicas de Bento Gonçalves. A demolição do antigo Presídio Regional começa nesta semana e coloca abaixo um símbolo de insegurança, superlotação e transtornos urbanos que permaneceu de pé mesmo após ser desativado em 2019. Localizado em um dos pontos mais movimentados do Centro — rua Assis Brasil, esquina com a 13 de Maio — o prédio carregava uma história de desgaste e demandas reprimidas. A retirada do imóvel atende a uma cobrança antiga da comunidade, que via na construção um obstáculo ao desenvolvimento do território e à valorização da região central.
Desde a transferência dos 385 apenados para a nova penitenciária na Linha Palmeiro, o antigo presídio passou a servir apenas como estacionamento para servidores das Delegacias de Polícia que seguem funcionando em prédios vizinhos. Agora, com o início da derrubada, a área passa a ser preparada para um novo ciclo urbano. A obra está sob responsabilidade da DD Vargas Terraplanagem, de Novo Hamburgo — terceira colocada na licitação, mas convocada após desclassificação das demais concorrentes. O contrato soma R$ 330.875,30, incluindo isolamentos, demolição completa, limpeza e destinação dos resíduos.
Com a demolição concluída, as delegacias serão transferidas para a nova Central de Polícia, no bairro Planalto. Apenas depois disso o Estado deve anunciar o destino definitivo do terreno, mas a expectativa é alta: a região é vista como estratégica para revitalização e novos serviços à população.
Um dos nomes mais ligados ao processo, o deputado estadual Guilherme Pasin (PP) fez questão de estar presente no início dos trabalhos — e até deu as primeiras marretadas na estrutura, gesto registrado e divulgado em suas redes.“Trabalhamos muito para chegar até aqui. A demolição representa o cumprimento de um compromisso firmado com a comunidade lá atrás, quando eu ainda era candidato a prefeito”, afirmou.
Pasin relembra que o caminho para desativar o presídio envolveu resistência política, falta de recursos e até propostas de transformar o local em outras modalidades prisionais — rejeitadas pela sociedade. A queda definitiva do prédio também simboliza a superação de um passado crítico. A rebelião de 8 de maio de 2014, que se estendeu por mais de quatro horas, tornou pública uma realidade já conhecida: superlotação crônica, déficit de agentes, risco estrutural e tensão constante. Na época, uma vistoria da OAB confirmou a gravidade da situação e intensificou a pressão pela mudança.
A demolição do antigo presídio fecha um ciclo marcado por improvisos, insegurança e deterioração urbana. E abre espaço para que Bento Gonçalves requalifique uma das regiões mais importantes da cidade. Um capítulo de décadas chega ao fim — e a cidade, enfim, olha para esse endereço com expectativa de futuro.
