Polícia

Operação do Ministério Público faz busca e apreensão em Boa Vista do Sul

Promotoria mira quadrilha que teria desviado doações das enchentes para vender em brechós
04/12/2025
Portal Adesso - Foto: Divulgação MP
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     O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) desencadeou na manhã desta quinta-feira (4) a Operação Ascaris, que apura um suposto esquema de desvio e comercialização ilegal de doações enviadas dos Estados Unidos e de empresas da Serra Gaúcha para vítimas das enchentes que devastaram o Estado em 2024. Agentes do GAECO/MPRS cumpriram oito mandados de busca e apreensão em Caxias do Sul, São Marcos e Boa Vista do Sul, além do bloqueio de R$ 2 milhões em contas bancárias de investigados.

     A investigação é conduzida pelo promotor de Justiça Manoel Figueiredo Antunes, coordenador do 5º Núcleo Regional do GAECO – Serra, com apoio do Núcleo de Inteligência do MP e da Brigada Militar. A operação também contou com a participação de 43 agentes do 4º Batalhão de Polícia de Choque, que atuaram diretamente no cumprimento dos mandados.

     Segundo o MP, roupas e utensílios enviados como ajuda humanitária — muitos deles importados e de marcas conhecidas — deveriam ter chegado às mãos de famílias que perderam tudo nas enchentes. Mas a apuração aponta que os itens acabaram comercializados em brechós da região, movimentando dinheiro por meio de “laranjas”, recebimento de valores via Pix em nome de terceiros, e até a compra de veículos, apartamento e outros bens ligados à principal investigada.

     Ao todo, oito pessoas, três delas da mesma família, além de uma pessoa jurídica, são alvos da operação. O MP investiga os crimes de apropriação indébita, organização criminosa e lavagem de dinheiro, todos cometidos em meio a situação de calamidade pública.

     O caso começou após uma denúncia enviada ao Consulado-Geral do Brasil em Miami, que alertou a Defesa Civil do RS sobre a venda irregular de roupas importadas que deveriam ter sido destinadas às famílias atingidas pelas enchentes. A partir daí, o MP deu início às diligências que resultaram na operação desta quinta. Foram apreendidos documentos, mídias e celulares, e os investigadores agora buscam identificar possíveis novos envolvidos, determinar quanto o grupo teria movimentado, os valores obtidos com a revenda ilegal e se o esquema se repetiu em outras situações.

     “O interesse público é muito superior ao interesse individual dos investigados, que se aproveitaram da dor das pessoas para obter vantagem patrimonial. Inclusive, divulgavam ações solidárias em suas redes sociais durante as enchentes, e um dos investigados chegou a ser reconhecido publicamente por isso”, afirmou o promotor Manoel Figueiredo Antunes. O coordenador estadual do GAECO, promotor André Dal Molin, reforçou que a ação busca responsabilizar todos os envolvidos e recuperar os valores desviados: “A Operação Ascaris, sempre em contato direto com a Defesa Civil do Estado, representa uma parceria entre instituições públicas para garantir que bens destinados a quem mais precisa não sejam apropriados por criminosos.”

     Em comunicado oficial, o 4º Batalhão de Polícia de Choque destacou que sua participação demonstra o compromisso da Brigada Militar com ações integradas de combate ao crime organizado e com o fortalecimento da segurança pública na Serra Gaúcha.


Como funcionava o esquema

     De acordo com o MP-RS, roupas e utensílios enviados como ajuda humanitária para famílias devastadas pelas enchentes acabaram desviados no trajeto e encaminhados a uma ONG localizada na região — especialmente com atuação em Boa Vista do Sul. A suspeita é que, a partir dali, o material que deveria chegar às famílias atingidas teria sido separado, armazenado e posteriormente repassado para brechós de cidades próximas, formando uma cadeia de revenda com indícios de enriquecimento ilícito.

     Entre os bens supostamente adquiridos com o lucro da revenda estão: um apartamento, veículos novos, e outras aquisições pessoais vinculadas à principal investigada.

     O MP afirma que o grupo movimentava valores usando “laranjas”, contas de terceiros e Pix feitos de forma pulverizada para dificultar o rastreamento. Ao todo, oito pessoas são investigadas, incluindo três integrantes de uma mesma família, além de uma pessoa jurídica. Eles são suspeitos de praticar: apropriação indébita, organização criminosa e lavagem de dinheiro.




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