Falências disparam no RS e crise leva empresas ao limite em 2026
O ambiente empresarial do Rio Grande do Sul vive um dos momentos mais delicados dos últimos anos em 2026. As falências avançaram de forma acelerada, as recuperações judiciais atingiram níveis inéditos e o fechamento de empresas disparou, expondo a fragilidade da economia estadual. Dados da Junta Comercial do Rio Grande do Sul indicam que 99 empresas decretaram falência em 2025, um aumento de 65% em relação ao ano anterior. Embora o número ainda esteja abaixo de picos históricos — como os cerca de 250 casos registrados em 2006 —, o ritmo de crescimento acende um sinal de alerta entre empresários e analistas.
Ainda mais preocupante é o volume de recuperações judiciais, que bateu recorde absoluto no Estado. Foram 200 pedidos ao longo do ano, alta de 23% na comparação anual. O instrumento, que substituiu a antiga concordata, permite a suspensão de cobranças e execuções judiciais para que empresas tentem reorganizar dívidas, caixa e estrutura operacional, evitando a quebra definitiva.
O agravamento do cenário é resultado de uma combinação de fatores. Juros elevados, os resquícios econômicos da pandemia, os impactos da enchente histórica que atingiu o Estado e dificuldades específicas de cada setor continuam pressionando o caixa das empresas. Além disso, empresários passaram a recorrer com mais frequência à recuperação judicial, impulsionados pela maior estruturação do aparato jurídico e pela disseminação do mecanismo como alternativa à falência. Nos últimos meses, também cresceu o número de pedidos feitos por produtores rurais, que enfrentam alto endividamento, custos elevados e perdas recorrentes de safra.
A dimensão da crise ficou evidente com o fechamento de indústrias gaúchas tradicionais em 2025. Empresas como a Martau ventiladores e a Erva-Mate Vier encerraram suas atividades, simbolizando o impacto profundo da instabilidade econômica sobre o setor produtivo e a perda de marcas históricas para o Estado. Apesar do cenário adverso, os dados oficiais mostram crescimento de 17% na abertura de empresas, totalizando 296.878 novos registros em 2026. Esse avanço, no entanto, é fortemente sustentado pelo aumento no número de microempreendedores individuais (MEIs).
Em contrapartida, o número de empresas extintas cresceu 24%, alcançando 182.224 fechamentos no ano, evidenciando que o ritmo de encerramento de negócios segue elevado e supera a consolidação de novas empresas. O retrato de 2026 é claro: empreender no Rio Grande do Sul tornou-se ainda mais desafiador, e os indicadores apontam para um período prolongado de instabilidade, com impactos diretos sobre empregos, investimentos e a economia regional como um todo.
