Política

Rádio erra alvo, acerta o próprio pé e vira aula prática de “como não passar vergonha”

Tentaram lacrar nas redes, mas acabaram levando aula básica de realidade
23/01/2026 Em Garibaldi
Portal Adesso - Imagens: Reprodução

     Na pressa de buscar criar mais um escândalo — daqueles que só existem na cabeça de quem aperta o “rec” sem checar nada — a rádio comunitária de Garibaldi conseguiu o feito raro de transformar boato em fiasco público. O objetivo era claro: atingir a Prefeitura, o  prefeito Sérgio Chesini e o Governo Chesini/Carniel. O resultado, no entanto, foi um tropeço daqueles que ecoam mais alto do que o próprio sinal da emissora, que mal alcança parte do centro da cidade.

     Sem jornalista, sem apuração e, ao que tudo indica, sem Google, a rádio resolveu questionar a Secretaria Municipal de Educação por suposto “descarte irregular” de livros vistos no pátio da Escola Estadual Santo Antônio. Detalhe básico — e aparentemente revolucionário para a rádio: escola estadual não é gerida pela Prefeitura. Nem pelo prefeito. Nem pela Secretaria Municipal. Mas isso é apenas um detalhe para quem não tem conhecimento e quando a pauta é atacar.

     A cobrança, que deveria ter sido endereçada ao Governo do Estado (quem sabe até ao vice-governador do próprio MDB, partido dos integrantes da rádio), acabou virando um festival de suposições, indignação seletiva e aquele clássico “blá blá blá” indignado que rende barulho, mas não informação. Sem ir até o local ver os livros, escreveram que os livros estavam em "BOM ESTADO DE CONSERVAÇÃO".

     A reviravolta veio rápida — e dolorosa. A diretora da Escola Estadual Santo Antônio entrou em cena e, com a tranquilidade de quem conhece os fatos e trabalha com a verdade, aplicou uma invertida didática. Explicou que os livros eram da própria escola, que o prédio passa por reformas e que todo o material deixado no pátio está comprometido por umidade. Para completar, os livros estavam obsoletos, sem qualquer utilidade pedagógica atual. Ou seja: não servem mais para nada.

     E não parou por aí. Além dos livros, prateleiras infestadas por cupim também estão sendo descartadas e substituídas. Nada de crime, nada de descaso, nada de Prefeitura. Apenas manutenção básica e organização de uma escola estadual.

     Resultado final? Um belo fiasco. Quando falta profissionalismo, ética e o mínimo compromisso com a verdade, a rede social de gente despreparada vira armadilha. E, mais uma vez, a rádio não conseguiu prejudicar a Prefeitura — apenas reforçou a própria fama de "confundir" opinião com notícia e boato com jornalismo.

    Fica a lição: antes de acusar, é bom checar. Antes de falar em nome da verdade, é recomendável conhecê-la. Caso contrário, o próximo “furo” pode acabar sendo, mais uma vez, no próprio pé.

     Para completar o espetáculo, vale lembrar um detalhe “insignificante” que a rádio parece ignorar: a Lei nº 9.612/1998, que regula o serviço de radiodifusão comunitária no Brasil. O artigo 4º da lei é cristalino ao proibir proselitismo político-partidário nesse tipo de emissora. Em tradução livre: rádio comunitária não é palanque, não é comitê e muito menos instrumento para ataques seletivos contra adversários políticos.

     Ou seja, além de confundir escola estadual com prefeitura, a emissora ainda flerta perigosamente com a ilegalidade ao usar o microfone e Redes Sociais para fazer política partidária — algo expressamente vedado pela legislação. Jornalismo mal feito é feio. Jornalismo ilegal, então, é outro nível de constrangimento.















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