Veterinário condenado por tortura é encontrado morto dentro da cela
O sistema prisional da Bento Gonçalves foi palco de um fato grave e cercado de questionamentos na noite desta sexta-feira (13). O empresário Ari Glock Junior, de 43 anos, condenado a 45 anos de prisão por uma série de crimes de extrema violência, foi encontrado morto dentro de sua cela, onde cumpria pena em regime fechado.
Conforme informações confirmadas pela Polícia Civil, o fato foi comunicado por volta das 21h30. A delegada de plantão, Maria Izabel, afirmou que as circunstâncias da morte ainda estão sob investigação. Nenhuma hipótese foi oficialmente descartada até o momento, embora haja indícios iniciais de que Glock estava sozinho na cela no momento do ocorrido. O Instituto Geral de Perícias - IGP foi acionado para realizar os procedimentos legais e a apuração técnica das causas da morte, que só deverão ser confirmadas após a conclusão dos laudos periciais.
Ari Glock Junior foi condenado por uma sequência de crimes considerados extremamente graves, entre eles tortura, tentativa de homicídio triplamente qualificada, sequestro, roubo e estupro, cometidos contra um ex-funcionário de seu haras, no município de Farroupilha. O caso teve grande repercussão no estado pelo nível de violência envolvido. Inicialmente sentenciado a 42 anos e 10 meses, após julgamento pelo Tribunal do Júri, Glock teve a pena aumentada para 45 anos, oito meses e 20 dias, após o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul acolher recurso do Ministério Público do Rio Grande do Sul, que destacou a gravidade extrema dos fatos, a multiplicidade de crimes e o elevado grau de violência contra a vítima.
Além disso, o empresário e veterinário e dono de um haras foi sentenciado pela Justiça do Trabalho a pagar R$ 350 mil por danos morais coletivos. Também havia sido determinado o pagamento de R$ 300 mil de indenização à vítima e R$ 54 mil por danos materiais, ambas acrescidas de correção monetária e juros. Dessa forma, Glock acumula cerca de R$ 700 mil em pagamentos indenizatórios decorrentes dos processos.
O velório ocorre na Capelas São José – Sala B. A cerimônia de despedida está marcada para este domingo (15), às 9h, no Memorial Crematório São José.
Relembre o caso
Glock, que tem familiares morando em Garibaldi, era proprietário de um haras em Farroupilha, suspeitava que a vítima havia furtado R$ 20 mil. Segundo a denúncia do Ministério Público, no dia 9 de agosto de 2021, ele iniciou uma série de agressões, com o objetivo de obter uma confissão do funcionário no próprio local.
Conforme a acusação, a vítima foi imobilizada no chão, com as mãos e o pescoço amarrados por uma corda. Ele também foi submetido a coronhadas, choques elétricos, golpes de facão e a um disparo de arma de fogo que atingiu um dos dedos do pé direito. Também foi vítima de estupro no local. O celular do funcionário foi retirado pelo proprietário do haras, que buscava informações sobre o suposto furto. Após ser abandonado em via pública, o homem foi socorrido por pessoas que passavam pelo local. No dia seguinte, depois de receber alta hospitalar, ele foi sequestrado novamente e mantido em cárcere privado, sofrendo uma nova série de agressões para que revelasse o paradeiro do dinheiro.
Durante esse período, teve a orelha queimada com cigarro, álcool jogado sobre a queimadura, dedos apertados com alicate, agulhas inseridas sob as unhas, cinco dentes arrancados e os cabelos cortados com uma máquina de tosquiar animais. Foi levado até um penhasco, na Linha Boêmios, onde foi forçado a pular. Após a queda, conseguiu recobrar a consciência e pedir socorro. O réu ainda teria ordenado o roubo de roupas, documentos e objetos pessoais da vítima.
