Administrações de Lajeado e Garibaldi querem a Arki fora da cidade
A Administração Municipal de Garibaldi decidiu: não quer mais a empresa Arki Serviços atuando no município. A decisão ocorre em meio a uma investigação da Polícia Federal que apura fraudes em licitações e corrupção, e que já resultou na prisão da proprietária da empresa, Lorena Mercalli, encaminhada à ala feminina do Presídio Estadual de Lajeado.
A Arki Serviços presta serviços terceirizados à Prefeitura de Garibaldi desde 2009, atravessando diferentes governos e mantendo contratos mesmo após tentativas formais de rescisão. Agora, porém, o cenário mudou: a atual gestão municipal confirmou que uma nova licitação será aberta nos próximos dias, convidando outras empresas do setor para disputar o serviço. "Em breve teremos nova licitação e vamos torcer para que uma empresa honesta e competente ganhe", disse o secretário municipal de governança de Garibaldi Eduardo Mombach.
De acordo com a investigação federal, a Arki teria sociedade oculta com a empresa Plati, com sede em Garibaldi e formalmente pertencente a familiares de ex-secretários da gestão de Antônio Cettolin (MDB). A suspeita da PF é de que o arranjo teria sido usado para driblar regras de licitação e manter contratos públicos.
Em 2020, ainda no governo Cettolin, a Arki venceu nova licitação. Já em 2021, durante a gestão do então prefeito Alex Carniel (PP), a Prefeitura tentou rescindir o contrato, mas a pandemia da Covid-19 inviabilizou a abertura imediata de um novo certame e Ales não conseguiu tirar a Arki de Garibaldi. Em 2022, sob a gestão do prefeito Sérgio Chesini, uma nova licitação foi aberta para a contratação de pedreiros e pintores. A Arki voltou a vencer, dentro da legalidade, já que a administração pública não pode impedir previamente a participação de nenhuma empresa sem impedimento judicial.
Agora, contudo, a Prefeitura afirma que não pretende mais manter a empresa prestando serviços no município. Embora a Arki possa concorrer novamente, terá de cumprir critérios rigorosos, incluindo ausência de qualquer impedimento judicial, o que pode inviabilizar sua permanência caso as investigações avancem e alguma condenação ocorra.
A pressão não se limita a Garibaldi. Em Lajeado, a prefeita Gláucia Schumacher também declarou que deseja ver a Arki fora do município. Segundo ela, o contrato ainda está vigente, mas o processo para substituição já foi iniciado. “A empresa Arki continua, é um contrato com vários profissionais, mas já está em fase de licitação para uma nova empresa”, afirmou a prefeita.
Atualmente, segundo informações do próprio site institucional da empresa, a Arki afirma atuar em apenas quatro municípios: Lajeado, Muçum, Garibaldi e Encantado. Com a proprietária presa, investigações em curso e prefeituras sinalizando rompimento, o futuro da empresa no setor público é cada vez mais incerto.
Enquanto isso, o caso reacende o debate sobre controle, fiscalização e dependência de empresas terceirizadas que atravessam gestões políticas sem interrupções — um tema sensível que volta a ganhar destaque no noticiário regional e promete novos desdobramentos nos próximos dias.
INVESTIGAÇÃO
A Arki Serviços é investigada pela Polícia Federal por suspeitas de fraudes em licitações, corrupção e uso de empresas interpostas para a manutenção de contratos públicos em municípios do Vale do Taquari e da Serra Gaúcha. A PF aponta que houve irregularidades em três licitações da Prefeitura de Lajeado envolvendo empresas de um mesmo grupo econômico, contratadas para prestar serviços de assistência social. Com base nessas licitações, o dinheiro público teria sido desviado, diz a PF. Lajeado recebeu recursos públicos federais do FNAS (Fundo Nacional de Assistência Social) para auxílio à população durante a tragédia climática de maio de 2024.
Segundo a PF, há indícios de que as escolhas não observaram a proposta mais vantajosa e de que os valores pagos estavam acima dos preços de mercado. No curso da operação, a proprietária da Arki, Lorena Mercalli, foi presa preventivamente e levada para a ala feminina do Presídio Estadual de Lajeado. A investigação também aponta indícios de sociedade oculta entre a Arki e a empresa Plati de Garibaldi, que teria sido usado para driblar regras de licitação e restrições legais.
