Polícia

Justiça manda soltar ex-prefeito investigado em fraudes de R$ 120 milhões

Ex-prefeito de Lajeado Marcelo Caumo e a proprietária da Arki Lorena Mercalli foram soltos
03/03/2026 Em Garibaldi
Portal Adesso

     O ex-prefeito de Lajeado, Marcelo Caumo (União Brasil), foi solto na noite desta segunda-feira (2) após decisão da Justiça Federal. A medida foi determinada pelo desembargador Loraci Flores de Lima, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), que revogou a prisão temporária decretada na segunda fase da Operação Lamaçal. A decisão também beneficiou a empresária Lorena Mercalli, apontada pela Polícia Federal como proprietária da empresas Arki Serviços e  sócia oculta da empresa Plati Serviços que tem sede em Garibaldi.

     A reviravolta ocorreu após os investigados prestarem depoimento na tarde desta segunda-feira. O delegado da Polícia Federal, Marconi Silva, solicitou a não prorrogação das prisões temporárias — pedido acolhido pelo desembargador do TRF-4. Apesar da liberação, a Justiça determinou a proibição de contato entre os investigados, medida cautelar considerada essencial para evitar interferências na produção de provas.

     Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a revogação da prisão não significa arquivamento do caso. A investigação segue ativa, agora com novas informações colhidas nos depoimentos. A Operação Lamaçal apura supostos desvios de recursos federais destinados ao atendimento emergencial da população atingida pelas enchentes de maio de 2024 no Rio Grande do Sul. De acordo com a Polícia Federal, há indícios de: Dispensa de licitação sem comprovação da proposta mais vantajosa; Possível direcionamento contratual;

Suspeita de sobrepreço; Irregularidades na terceirização de serviços de assistência social. Entre os serviços investigados estão a contratação de psicólogos, assistentes sociais, educadores sociais, auxiliares administrativos e motoristas.

     Os contratos sob análise somam cerca de R$ 120 milhões, valor expressivo dentro do contexto de calamidade pública. Parte dos recursos é proveniente do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS), destinado ao apoio às famílias afetadas pela tragédia climática. A primeira etapa da Operação Lamaçal foi deflagrada em 11 de novembro de 2025, em ação conjunta da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU). Na ocasião, foram cumpridos: 35 mandados de busca e apreensão; Sequestro de 10 veículos; Bloqueio de até R$ 4,5 milhões em ativos financeiros.

O que acontece agora

     Com a soltura, o foco da investigação passa a ser a análise técnica dos contratos, cruzamento de dados financeiros e aprofundamento das diligências já iniciadas. O caso tem forte repercussão política e administrativa na região do Vale do Taquari e em Garibaldi, principalmente pelo volume de recursos públicos envolvidos e pela natureza emergencial das contratações. A Justiça reforça que o processo está em fase investigativa e que não há condenação até o momento.



MAIS NOTÍCIAS