Política

Mais uma vez, Eduardo Leite acompanhará eleição presidencial do Sofá

PSD vai oficializar candidatura de Ronaldo Caiado, e pela segunda vez, Eduardo Leite fica fora
30/03/2026
Portal Adesso - Foto: Mauricio Tonietto / Secon RS

     Assim como já aconteceu em 2022 quando ele ainda estava no PSDB, e renunciou o governo do Rio Grande do Sul pois almejava ser candidato a presidente, o governador Eduardo Leite, que chegou a mudar de partido e ir para o PSD, ficou fora novamente da disputa da presidência da república nas eleições de outubro.

     O cenário político nacional ganha novos contornos nesta segunda-feira (30) com o anúncio oficial de que o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, será o candidato do PSD à Presidência da República nas eleições de outubro. A confirmação será feita pelo presidente da sigla, Gilberto Kassab, durante entrevista coletiva marcada para as 16h, na sede do partido, na capital paulista. A decisão encerra semanas de especulações internas e deixa pelo caminho o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que era apontado como uma das alternativas da legenda para a disputa ao Palácio do Planalto.

     Sem espaço na corrida presidencial, Eduardo Leite decidiu não disputar nenhum outro cargo público em 2026. O governador gaúcho agora volta suas atenções à reta final de seu mandato e, principalmente, à própria sucessão no comando do estado. Em um vídeo divulgado em sua rede social na semana passada, Leite afirmou que se não disputasse a presidência da república, não concorreria a nenhum cargo público. 

     O que ele deverá fazer agora é atuar como cabo eleitoral do atual vice-governador, Gabriel Souza (MDB), que deve concorrer ao Palácio Piratini como candidato governista. A estratégia é manter a mesma linha política adotada pela atual gestão, mas transferindo o protagonismo para seu aliado. os bastidores do governo gaúcho, havia incerteza sobre o futuro de Leite. Uma eventual candidatura ao Senado chegou a ser cogitada, mas nunca empolgou o governador, que agora descarta completamente a hipótese.

     O fim de semana foi marcado por articulações relevantes no Rio Grande do Sul. Os deputados estaduais Ernani Polo e Frederico Antunes migraram para o PSD, em um movimento alinhado à nova estratégia nacional da sigla. A filiação ocorreu no domingo (29), mesma ocasião em que Kassab comunicou diretamente a Leite que Caiado seria o escolhido para disputar a Presidência. Polo foi confirmado como candidato a vice-governador na chapa de Gabriel Souza — posição que já almejava desde o ano passado. Já Frederico Antunes deve disputar uma vaga no Senado, formando dobradinha com o ex-governador Germano Rigotto (MDB).

     Longe das urnas, Eduardo Leite já traça planos para depois do mandato. A ideia é se mudar para São Paulo, onde recebeu convites para atuar na iniciativa privada. Seu marido, Thalis Bolzan, médico endocrinologista, já trabalha em uma indústria farmacêutica com sede na cidade. O casal deve residir em um apartamento de Leite no bairro de Pinheiros, área nobre próxima ao centro financeiro da capital. O imóvel está atualmente alugado, mas o contrato se encerra no final do ano.

     Apesar da oficialização, Ronaldo Caiado inicia a corrida presidencial em posição desfavorável. Segundo pesquisa Datafolha divulgada no início do mês, o governador aparece com apenas 4% das intenções de voto no cenário em que é apresentado como candidato do PSD. No levantamento, ele surge bem atrás de nomes como Lula e Flávio Bolsonaro. Em uma eventual disputa de segundo turno contra o petista, Caiado seria derrotado por 46% a 36%, indicando um desafio significativo para consolidar sua candidatura.

     Em  31 de março de 2022, Eduardo Leite havia renunciado o governo gaúcho para tentar viabilizar uma candidatura à Presidência da República dentro do PSDB no campo da chamada “terceira via”. Essa candidatura não se concretizou, e agora, novamente ele fica a "ver navios".

     Em vídeo publicado hoje, Leite afirmou que a escolha "desencanta" a ele . Para o governador, o nome do governador goiano "tende a manter esse ambiente de polarização radicalizada que tanto limita o nosso país". 

"Eu acredito num outro caminho, num centro liberal, democrático de verdade, não como uma posição de conveniência, mas num compromisso com a conciliação, com o diálogo, a construção de soluções reais. Um centro que olha pro futuro", disse.




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