Política

Câmaras de Carlos Barbosa e Garibaldi são as mais econômicas da região

Dados do TCE-RS revelam distorções nos gastos. Pequenos municípios custam muito ao contribuinte
06/04/2026 Em Garibaldi
Portal Adesso

     Um levantamento com dados oficiais do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS) revelou uma realidade que contraria o senso comum na Serra Gaúcha: quanto menor a cidade, maior pode ser o custo por morador para manter a Câmara de Vereadores. O estudo, baseado em informações prestadas pelas prefeituras e cruzadas com o Censo 2022 do IBGE, analisou 49 municípios da região da Serra. O resultado mostra que, embora cidades maiores concentrem os maiores volumes de recursos, são os pequenos municípios que impõem o maior peso proporcional ao contribuinte com um gasto muito grande.

     O caso mais emblemático é o de André da Rocha, onde o Legislativo consumiu R$ 846 mil reais em 2025. Na prática, isso representa um custo de R$ 745,50 por habitante — valor 7,6 vezes maior do que o registrado em Caxias do Sul, maior cidade da Serra, onde o gasto per capita foi de R$ 98,51. Outros municípios de pequeno porte também aparecem no topo da lista dos mais caros por morador, como Pinhal da Serra (R$ 546,49), União da Serra (R$ 459,30), Esmeralda (R$ 455,64) e Montauri (R$ 362,21). Todos têm menos de 15 mil habitantes e, por isso, contam com apenas nove vereadores — o mínimo permitido pela Constituição. Os dados foram publicados pelo Jornal Pioneiro.

     Apesar de concentrarem estruturas maiores e mais vereadores, cidades de maior porte diluem melhor os custos entre a população. Em Caxias do Sul, por exemplo, o Legislativo gastou mais de R$ 45,6 milhões em 2025 — um aumento de cerca de 40% em relação ao ano anterior —, mas o impacto individual permaneceu abaixo de R$ 100 por morador. Entre os municípios com mais de 25 mil habitantes, Bento Gonçalves lidera em gasto per capita, com R$ 179,34 por habitante. O aumento expressivo está ligado à construção da nova sede do Legislativo, iniciada em 2022 e ainda em andamento. Segundo a presidência da Câmara, cerca de R$ 11 milhões do orçamento de 2025 foram destinados à obra. Na sequência aparecem Guaporé e Vacaria (ambos com cerca de R$ 126 por morador) e Gramado (R$ 117,58).

     Em meio ao cenário de altos custos proporcionais, Carlos Barbosa e Garibaldi se destacam como exceção. As duas cidades figuram entre as Câmaras com menor gasto por habitante na Serra, indicando maior controle orçamentário e eficiência na gestão dos recursos públicos. Mesmo com despesas semelhantes — como salários, manutenção, serviços e eventuais investimentos —, os Legislativos Garibaldense e Barbosense conseguem operar com menor impacto financeiro sobre a população.

     Os custos das Câmaras incluem folha de pagamento, contas básicas (energia, água e internet), contratação de serviços, compra de equipamentos e obras estruturais. Todos os valores são informados ao TCE-RS e passam por processos de validação e auditoria. A Constituição estabelece limites para os repasses ao Legislativo, que variam entre 6% e 7% do orçamento municipal, conforme o número de habitantes. De acordo com os dados, os municípios analisados permanecem dentro desses tetos legais — embora isso não impeça grandes variações no custo por morador.

     Os dados escancaram uma distorção relevante: viver em uma cidade menor não significa, necessariamente, pagar menos pela estrutura pública. Em alguns casos, o custo é significativamente maior. Nesse contexto, o desempenho de cidades como Carlos Barbosa e Garibaldi reforça que é possível manter o funcionamento do Legislativo com responsabilidade fiscal — e sem sobrecarregar o contribuinte.







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