Milhares ainda esperam por casas dois anos depois da enchente no Rio Grande do Sul
Dois anos após a maior tragédia climática da história do Rio Grande do Sul, os números da reconstrução habitacional revelam um descompasso evidente entre o tamanho da destruição e a resposta efetiva. As enchentes de 2024 atingiram cerca de 100 mil imóveis em todo o Estado, deixando um rastro de cidades devastadas e milhares de famílias sem casa. A tragédia deixou 185 mortos e 23 pessoas ainda desaparecidas. Ao todo, 478 municípios foram afetados, sendo 95 em situação de calamidade pública e mais de 300 em emergência.
Diante desse cenário, a reconstrução definitiva avança em ritmo lento. Dados oficiais indicam que o governo de Eduardo Leite, entregou pouco mais de uma centena de moradias no primeiro ciclo de reconstrução — com 84 casas concluídas como marco inicial — e, mesmo com novas entregas posteriores, o total segue na casa de poucas centenas. Na prática, isso representa uma fração mínima da demanda: menos de 1% das moradias necessárias para atender as famílias atingidas.
No Vale do Taquari, região mais afetada pela enchente, a situação expõe ainda mais esse contraste. Municípios duramente atingidos registraram entregas pontuais de casas definitivas, enquanto a maior parte das ações ficou concentrada em moradias temporárias — estruturas emergenciais que não resolvem de forma permanente a perda das residências. Além disso, quem mais entregou casas não foram os governos, mas sim empresários, entidades e associações, que não aguentavam mais ver a inércia dos políticos enquanto as pessoas passam por duras necessidades.
O governo afirma que o estado está mais preparado para enfrentar novos eventos extremos, mas reconhece que parte das soluções depende de obras estruturais de grande porte, que exigem projetos complexos e prazos mais longos. "Não está tudo perfeito, naturalmente. É uma jornada um pouco mais longa, mas sem dúvida nenhuma, o Rio Grande do Sul em 2026 está muito melhor preparado do que a gente tinha lá em 2024", afirmou o governador que é muito bom em marketing.
Toda tragédia no Brasil parece seguir o mesmo roteiro. Primeiro vêm as imagens fortes, a comoção nacional e a corrida de autoridades ao local. Depois aparecem os sobrevoos de avaliação, as entrevistas de colete, os comitês de crise, os anúncios de reconstrução, as promessas de recursos e os discursos emocionados. Por alguns dias, tudo parece urgente. Passado o impacto inicial, as câmeras de TV vão embora, a agenda política muda e quem perdeu a casa fica esperando que a promessa vire parede, ponte, drenagem, contenção, rua segura e moradia definitiva.
O governo estadual afirma ter garantido R$ 14 bilhões para ações do Plano Rio Grande, com 227 projetos e ações de reconstrução em municípios atingidos por calamidade. Também foram anunciados repasses para obras de recuperação e modernização de estruturas de proteção, especialmente em Porto Alegre e Canoas.
No campo habitacional, o governo federal informou que já contratou 10.588 moradias para famílias atingidas pelas enchentes, com R$ 2,1 bilhões destinados à modalidade Compra Assistida do Minha Casa, Minha Vida Reconstrução. Também há previsão de construção de outras 9.350 novas moradias no estado. São números importantes, mas a pergunta que fica para quem ainda vive de forma provisória é simples: quando a promessa chega na porta de casa?
A infraestrutura também revela a distância entre anúncio e entrega. Levantamento sobre a recuperação das rodovias estaduais afetadas aponta 48 obras previstas via Fundo do Plano Rio Grande, sendo 33 em estradas e 15 em pontes. Até março de 2026, nenhuma dessas 48 obras havia sido entregue; 19 estavam em andamento, 20 em fase de projeto e 9 em estudo de viabilidade.
O que podemos perceber até agora, é que o atual governador Eduardo Leite e seu vice, Gabriel Souza são muito bons de marketing e mídia. Na semana passada realizaram uma entrevista coletiva para falar de planos e mais planos, porém, quem perdeu tudo e até agora não teve nenhum apoio do governo estadual e federal, não quer saber mais de planos e promessas, quer algo sério e de verdade, não de faz de conta.
