Movimento em Garibaldi busca humanizar o luto parental na cidade
A dor silenciosa de perder um filho começou a ganhar um novo espaço de acolhimento em Garibaldi. Em uma iniciativa marcada por emoção, escuta e mobilização social, o município iniciou oficialmente um trabalho voltado à humanização do luto parental — tema ainda cercado por tabu, silêncio e sofrimento invisível para milhares de famílias.
O primeiro grande passo ocorreu no último dia 29 de abril, quando a ONG Amada Helena, reconhecida nacionalmente por sua atuação junto a pais enlutados, esteve na cidade para uma roda de conversa realizada na Pousada dos Frades. O encontro reuniu profissionais da saúde, lideranças comunitárias e mães que enfrentaram a perda de filhos, em um momento considerado profundo e transformador pelos participantes. A iniciativa nasce a partir da criação de um comitê organizador formado por mulheres e mães de Garibaldi que decidiram transformar a própria dor em ação coletiva. O objetivo é desenvolver políticas, capacitações e estratégias de acolhimento mais humanizadas para famílias que enfrentam perdas gestacionais, neonatais ou de filhos em qualquer idade.
Com 14 anos de atuação, a ONG Amada Helena se tornou referência estadual e nacional no tema. O trabalho da entidade já contribuiu para a criação de leis no Rio Grande do Sul e para a implementação de ações que hoje servem de modelo em diferentes cidades do país. Durante a passagem por Garibaldi, a presidente da ONG, Tatiana Maffini, e a psicóloga coordenadora Flávia Rott também cumpriram agendas com a Administração Municipal e com o Hospital Beneficente São Pedro.
Na Secretaria Municipal da Saúde, a pauta principal foi a construção de futuras capacitações para equipes das Unidades Básicas de Saúde, agentes comunitários e profissionais ligados à assistência social. A proposta é preparar os serviços públicos para oferecer um atendimento mais acolhedor e compassivo às famílias enlutadas. “A ONG tem essa atuação técnica de capacitar e ser uma ponte para profissionais de saúde mais compassivos e acolhedores frente ao luto, contribuindo para estratégias de cuidado mais eficazes”, destacou Tatiana Maffini durante os encontros.
Outro momento importante da agenda ocorreu no Hospital Beneficente São Pedro, referência regional em atendimento a gestantes. A direção da instituição sinalizou apoio à causa e discutiu a possibilidade de capacitação específica para equipes da maternidade e profissionais que acompanham gestantes e familiares. A construção desse movimento em Garibaldi será liderada pelo comitê organizador formado por Adriana Piacentini Mattuella, Ana Claudia Albino, Daiana Pedó Alberti, Greice Locatelli Mattiello, Kátia Colombo, Lúcia Pedroso, Milena Pieta Troian, Natália De Paoli e Paula Manfroi Guaragni.
A entidade também oferece atendimento psicológico gratuito para pais que enfrentam o luto pela perda de bebês durante a gestação ou de filhos em qualquer fase da vida. Interessados em participar das ações em Garibaldi podem entrar em contato com Paula Manfroi pelo WhatsApp (54) 99923-4979 ou pelo e-mail [email protected].
