Política

"Apegados" ao poder, PDT segue ocupando cargos no Governo Eduardo Leite

Mesmo após romper com a gestão em abril, quadros do partido seguem em funções no Executivo
22/06/2026
Portal Adesso

     Mais de dois meses após anunciar oficialmente o rompimento com o governo do Estado, o PDT ainda mantém nomes ligados ao partido em postos relevantes da administração de Eduardo Leite (PSD). A permanência de quadros trabalhistas no Executivo tem alimentado críticas de adversários e deve se tornar um dos temas da campanha ao Palácio Piratini em 2026.

     A saída da legenda da base governista foi formalizada no início de abril, em meio às articulações para a construção de uma chapa encabeçada pela deputada estadual Juliana Brizola (PDT), em aliança com partidos de oposição ao atual governo. Na ocasião, os trabalhistas também anunciaram a devolução dos cargos ocupados na estrutura estadual. No entanto, a transição tem ocorrido de forma gradual. Em algumas áreas, nomes historicamente vinculados ao PDT permaneceram em funções estratégicas mesmo após o rompimento político.

     Um dos casos mais emblemáticos está na Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Profissional. O atual titular da pasta, José Odair Scorsatto, assumiu o comando da secretaria após a saída do deputado estadual Gilmar Sossella (PDT), em abril. Antes disso, Scorsatto ocupava a presidência da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS), cargo ligado ao grupo político de Sossella. Com longa trajetória no PDT, Scorsatto foi vice-prefeito e prefeito de Arvorezinha pela sigla e disputou uma vaga na Assembleia Legislativa nas eleições de 2022.

     Outro exemplo ocorreu na Secretaria da Cultura. Até o último dia 17 de junho, o cargo de secretário-adjunto era ocupado por Fabiam Thomas, uma das principais lideranças históricas do trabalhismo gaúcho. Ex-prefeito de Giruá por dois mandatos e ex-presidente da Associação de Prefeitos e Vices do PDT do Rio Grande do Sul, Thomas permaneceu na função mesmo após a saída do deputado Eduardo Loureiro (PDT) do comando da pasta. Durante o período de transição, chegou inclusive a responder interinamente pela secretaria até a nomeação do atual titular, André José Kryszczun. Sua substituição foi oficializada apenas na semana passada.

     A permanência de nomes ligados ao PDT no governo já começou a ser explorada por adversários políticos na corrida ao Palácio Piratini. Durante debate promovido pela Federasul no último dia 10, o vice-governador Gabriel Souza (MDB), pré-candidato ao governo do Estado, provocou a pré-candidata pedetista Juliana Brizola ao afirmar que o partido ainda mantém vínculos com a administração estadual. "Estamos juntos nessa dos 12 anos de governo. O PDT junto conosco. O PDT esteve no governo que agora critica. Aliás, está junto ainda. Temos gente do PDT lá no governo", declarou. A crítica foi reforçada dias depois pelo deputado estadual Ernani Polo (PSD), pré-candidato a vice-governador na chapa de Gabriel Souza.

     Nos bastidores, integrantes da pré-campanha emedebista admitem que a estratégia será destacar a participação histórica do PDT em diferentes governos estaduais para tentar desgastar o discurso de oposição adotado pela legenda. O tema também mobiliza aliados da própria oposição. Integrantes do PT, que compõe a aliança liderada por Juliana Brizola, realizaram levantamentos sobre remanejamentos de cargos envolvendo quadros pedetistas dentro da estrutura estadual, em um movimento que demonstra a sensibilidade do assunto dentro da futura coalizão.

     Com a disputa eleitoral começando a ganhar forma, a permanência de aliados do PDT em postos do Executivo tende a permanecer no centro do debate político gaúcho nos próximos meses. Embora a pré-candidata Juliana Brizola diz que fará um novo governo, diferente de Leite, o que estamos vendo até o momento é mais do mesmo.



MAIS NOTÍCIAS