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Eduardo Leite quer transformar o Rio Grande em um "Pedagiômetro"

Na campanha ele prometeu não criar mais pedágios. Antônio Britto criou 31 e Leite vai criar 58
09/11/2025
Portal Adesso

      Lembra da promessa  na campanha eleitoral de que “não haveria novos pedágios”? Pois é. O governador Eduardo Leite (PSD) agora parece ter descoberto o poder da semântica: diz que o “free flow” — aquele pedágio eletrônico sem cancela — não é pedágio. Um truque retórico digno de manual político.

     Nesta sexta-feira (7), o governo do Estado publicou o edital de concessão do bloco 2 de rodovias, que abrange 409 quilômetros de estradas no Vale do Taquari e na Região Norte. O pacote prevê 24 pórticos de cobrança eletrônica, investimento de R$ 6 bilhões e contratos de 30 anos com a iniciativa privada. A justificativa oficial é a de sempre: “modernizar, duplicar, melhorar a segurança e reduzir custos”. Mas, na prática, os custos parecem crescer — e bem rápido.

     Em dois anos, as rodovias estaduais vão saltar de 6 para 53 pontos de cobrança, impactando 32 cidades e 17,5% da população gaúcha. O modelo “free flow” é vendido como o futuro da mobilidade, mas o futuro, neste caso, tem preço. E não é barato. O valor máximo estimado no edital é de R$ 0,19 por quilômetro. Pode parecer pouco — até você colocar na ponta do lápis:


🚗 De Porto Alegre a Balneário Pinhal, o valor para carros sobe de R$ 7,10 para R$ 17,73 (Só a ida)

🚛 Para caminhões de dois eixos, o salto é de R$ 14,20 para R$ 35,46. (Só a ida)


🚗 De Porto Alegre a Gramado, o motorista vai pagar R$ 17,07 (antes eram R$ 7,10).

🚛 Caminhoneiros? R$ 34,14, o dobro do atual.


🚗 De Novo Hamburgo a Santo Antônio da Patrulha, o valor para carros vai de R$ 9,55 para R$ 21,76.

🚛 Caminhões: de R$ 19,10 para R$ 43,52.


     Este é o “novo” Rio Grande do Sul: moderno, digital e cheio de pórticos piscando a cada quilômetro rodado do governador que pouco governa e só faz marketing, pois sonha em concorrer a presidente da república. Leite aposta que o free flow será mais “justo”, já que o motorista paga só pelo trecho percorrido. Mas a sensação entre os gaúchos é outra — de que o pedágio apenas trocou de roupa, ficando mais discreto e, claro, mais caro.

     Com os blocos 1, 2 e 3 e a RS-287, o plano de concessões prevê 58 pontos de cobrança — quase o dobro do recorde deixado pelo governo Antônio Britto (MDB), que criou 31 praças. Um verdadeiro “boom” de pedágios, agora sem cancelas, mas com impacto direto no bolso de quem trabalha e produz.

     O governo promete 182 km de duplicações, 745 km de acostamentos e 37 passarelas. Bonito no papel. Mas o custo é bilionário — e, segundo especialistas, pouco transparente. R$ 1,5 bilhão virá do Funrigs, o fundo da reconstrução, ou seja, dinheiro público. Em resumo: o governador que jurou “não criar novos pedágios” vai deixar o Estado cercado por eles. Só que agora com nome em inglês e cobrança por quilômetro.

Veja onde serão colocadas as novas praças de pedágios de Eduardo Leite







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