Saúde

Paciente com cálculos renais espera há dois meses por atendimento em Bento

Demora por vaga SUS expõe falhas na rede de saúde do município
22/11/2025 Em Bento Gonçalves
NB Notícias

     A espera por atendimento virou risco de vida para Cristian Felipe dos Santos, 38 anos, consultor comercial que há mais de dois meses tenta, sem sucesso, acesso a um urologista pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Bento Gonçalves. Sofrendo com cálculo renal severo, com pedras acima de 1 cm e uma delas obstruindo a uretra, o paciente relata dores extremas, dificuldades para trabalhar e falta de respostas da Prefeitura e do Hospital Tacchini — responsável pelo atendimento referenciado.

     A situação só começou a se movimentar após o NB Notícias questionar oficialmente o poder público, o que resultou no agendamento da consulta e encaminhamento cirúrgico, segundo o próprio Cristian. O paciente convive com dores intensas desde agosto. No início de novembro, procurou novamente a UPA 24h, onde exames de sangue, urina e tomografia confirmaram dois cálculos renais, um em cada rim — sendo que o do lado esquerdo estava bloqueando a uretra, condição considerada grave e potencialmente danosa ao funcionamento renal. “É uma dor terrível! Não faz ideia do quanto dói”, relatou o paciente. Ele chegou a permanecer uma semana internado na UPA, mas a falta de previsão para avaliação com especialista e a negativa de leito no Hospital Tacchini o levaram a retornar para casa com atestado médico — o que, mais tarde, seria usado pela Prefeitura como justificativa para a interrupção do processo de regulação.

     Conforme Cristian, a Secretaria de Saúde e o Tacchini passaram semanas atribuindo responsabilidades um ao outro, sem solução prática. Nos contatos realizados, ele foi informado que:

• O Tacchini não era referência para o procedimento solicitado.

• Não havia leitos SUS disponíveis.

• O município teria como referência hospitals em Erechim — a mais de 200 km de distância.

• O atendimento via SUS teria previsão somente para início de 2026.Anúncios Publicidade

     Durante esse período, Cristian enviou mais de 12 e-mails à Prefeitura e buscou ajuda também no gabinete do prefeito e na ouvidoria do hospital, sem retorno efetivo. “Eles vão esperar eu perder um rim para me avaliar? Estou há meses nessa luta”, desabafou.

     Em nota enviada ao NB Notícias, a Secretaria de Saúde afirmou que o atendimento não avançou porque o paciente teria “evadido da UPA”, o que encerraria o cadastro na regulação estadual. Cristian contesta:  “Eu não evadi, eu recebi um atestado médico para aguardar em casa. O médico me orientou a procurar a justiça. Se eu tivesse fugido, não teria atestado. Isso é papo furado da Prefeitura”. Sem avanço na regulação, Cristian buscou documentos na Defensoria Pública para ingressar com ação judicial em busca do direito ao tratamento — prática cada vez mais comum diante da demora no SUS.

     Enquanto isso, obras do futuro Complexo Hospitalar Municipal — o “Hospital do Trabalhador” seguem aguardando conclusão. A promessa é desafogar o sistema, ampliar leitos e garantir cirurgias para pacientes da região.




 

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