Gestantes do Vale do Caí terão que viajar até Garibaldi após colapso em maternidade
Moradoras do Vale do Caí que entrarem em trabalho de parto nos próximos dias poderão ter que pegar a estrada e buscar atendimento fora de seus municípios. A mudança ocorre após a suspensão temporária dos serviços no Centro Obstétrico do Hospital Montenegro, que levou o Estado a revisar, às pressas, o Plano de Contingência para a região.
A nova diretriz foi divulgada nesta sexta-feira (13) pela Secretaria Estadual da Saúde e redefine o fluxo de atendimento das gestantes da 8ª Região de Saúde, que engloba Montenegro e outras 13 cidades do Vale do Caí. Na prática, o plano confirma o que muitas famílias temiam: parte significativa das gestantes precisará se deslocar até Garibaldi para conseguir atendimento obstétrico.
De acordo com o documento, gestantes classificadas como risco habitual — quando não há indicação prévia de complicações — residentes em municípios como Harmonia, Tupandi, São Pedro da Serra, Salvador do Sul, Barão, Brochier e Maratá deverão ser encaminhadas ao Hospital Beneficente São Pedro, em Garibaldi. Já os casos considerados de alto risco seguem tendo como referência o Hospital Universitário de Canoas.
Outras cidades da região também tiveram o atendimento redistribuído. Gestantes de São Sebastião do Caí, Montenegro e Triunfo serão direcionadas ao Hospital Campo Bom, enquanto moradores de Pareci Novo, Tabaí e Capela de Santana deverão buscar atendimento em Sapucaia do Sul. O Plano de Contingência tem validade inicial de 15 dias, mas pode ser prorrogado, conforme a evolução da crise.
A paralisação dos atendimentos obstétricos no Hospital Montenegro teve início no dia 6 de fevereiro e foi motivada pela falta de médicos plantonistas, o que, segundo a direção, gerou inviabilidade técnica para manter o serviço funcionando. A situação se agravou no último fim de semana, quando a demora na regulação estadual dificultou a obtenção de vagas em hospitais de referência, especialmente em Canoas e Sapucaia do Sul, elevando o nível de preocupação entre gestores e famílias.
A secretária municipal de Saúde de São Sebastião do Caí, Neiva Santos, reconheceu o impacto da decisão e classificou o momento como delicado. “Estamos angustiados com a suspensão do atendimento no Hospital Montenegro, que afeta gestantes do nosso município e das cidades da Região 8. Mas, com o novo Plano de Contingência, temos um hospital de referência definido e seguimos lutando para resolver essa situação de forma definitiva”, afirmou. Segundo ela, a redistribuição foi necessária para evitar a sobrecarga de hospitais em cidades maiores da Região Metropolitana, como Canoas, Sapucaia do Sul e Esteio, buscando um fluxo mais equilibrado e ágil.
Diante do colapso dos serviços, o prefeito de Montenegro, Gustavo Zanatta, buscou a intervenção do Ministério Público, em reunião realizada em Porto Alegre. O objetivo é encontrar uma solução estrutural que evite novas paralisações e garanta segurança às gestantes da região.
Enquanto isso, a realidade imposta pelo novo plano é clara: para muitas famílias do Vale do Caí, o nascimento de um filho agora começa com uma viagem até Garibaldi — um cenário que expõe, mais uma vez, a fragilidade do sistema de saúde regional diante da falta de profissionais e de planejamento de longo prazo.
