Saúde

Gestantes do Vale do Caí terão que viajar até Garibaldi após colapso em maternidade

Suspensão no Hospital Montenegro força redirecionamento emergencial de dez municípios
16/02/2026 Em Garibaldi
Portal Adesso - Foto: Secretaria da Saúde do Estado

     Moradoras do Vale do Caí que entrarem em trabalho de parto nos próximos dias poderão ter que pegar a estrada e buscar atendimento fora de seus municípios. A mudança ocorre após a suspensão temporária dos serviços no Centro Obstétrico do Hospital Montenegro, que levou o Estado a revisar, às pressas, o Plano de Contingência para a região.

     A nova diretriz foi divulgada nesta sexta-feira (13) pela Secretaria Estadual da Saúde e redefine o fluxo de atendimento das gestantes da 8ª Região de Saúde, que engloba Montenegro e outras 13 cidades do Vale do Caí. Na prática, o plano confirma o que muitas famílias temiam: parte significativa das gestantes precisará se deslocar até Garibaldi para conseguir atendimento obstétrico.

     De acordo com o documento, gestantes classificadas como risco habitual — quando não há indicação prévia de complicações — residentes em municípios como Harmonia, Tupandi, São Pedro da Serra, Salvador do Sul, Barão, Brochier e Maratá deverão ser encaminhadas ao Hospital Beneficente São Pedro, em Garibaldi. Já os casos considerados de alto risco seguem tendo como referência o Hospital Universitário de Canoas.

     Outras cidades da região também tiveram o atendimento redistribuído. Gestantes de São Sebastião do Caí, Montenegro e Triunfo serão direcionadas ao Hospital Campo Bom, enquanto moradores de Pareci Novo, Tabaí e Capela de Santana deverão buscar atendimento em Sapucaia do Sul. O Plano de Contingência tem validade inicial de 15 dias, mas pode ser prorrogado, conforme a evolução da crise.

     A paralisação dos atendimentos obstétricos no Hospital Montenegro teve início no dia 6 de fevereiro e foi motivada pela falta de médicos plantonistas, o que, segundo a direção, gerou inviabilidade técnica para manter o serviço funcionando. A situação se agravou no último fim de semana, quando a demora na regulação estadual dificultou a obtenção de vagas em hospitais de referência, especialmente em Canoas e Sapucaia do Sul, elevando o nível de preocupação entre gestores e famílias.

     A secretária municipal de Saúde de São Sebastião do Caí, Neiva Santos, reconheceu o impacto da decisão e classificou o momento como delicado. “Estamos angustiados com a suspensão do atendimento no Hospital Montenegro, que afeta gestantes do nosso município e das cidades da Região 8. Mas, com o novo Plano de Contingência, temos um hospital de referência definido e seguimos lutando para resolver essa situação de forma definitiva”, afirmou. Segundo ela, a redistribuição foi necessária para evitar a sobrecarga de hospitais em cidades maiores da Região Metropolitana, como Canoas, Sapucaia do Sul e Esteio, buscando um fluxo mais equilibrado e ágil.

     Diante do colapso dos serviços, o prefeito de Montenegro, Gustavo Zanatta, buscou a intervenção do Ministério Público, em reunião realizada em Porto Alegre. O objetivo é encontrar uma solução estrutural que evite novas paralisações e garanta segurança às gestantes da região.

     Enquanto isso, a realidade imposta pelo novo plano é clara: para muitas famílias do Vale do Caí, o nascimento de um filho agora começa com uma viagem até Garibaldi — um cenário que expõe, mais uma vez, a fragilidade do sistema de saúde regional diante da falta de profissionais e de planejamento de longo prazo.



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