Estado começa o ano com mais inadimplentes e dívidas mais longas
O ano de 2026 começou mais pesado no bolso do consumidor gaúcho. Dados divulgados pela Federação Varejista do RS apontam que o Rio Grande do Sul registra mais endividados, mais dívidas por pessoa e maior dificuldade de recuperação de crédito em comparação com o início de 2025. O cenário é considerado preocupante e já impacta diretamente o comércio e o consumo no Estado.
Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, o volume de inadimplentes no RS cresceu 9,19%. Embora o índice fique levemente abaixo das médias da Região Sul (9,33%) e do Brasil (9,39%), o problema ganha força quando se observa o número de dívidas em atraso por consumidor, que saltou 18,24%, superando os percentuais regional e nacional. Segundo o presidente da entidade, Ivonei Pioner, o quadro atual não é surpresa. “A inadimplência e a dificuldade que estamos vivendo vinham se desenhando. A cada adversidade enfrentada — como secas e enchentes —, a resposta do poder público e as soluções para reestruturação da economia ficaram muito aquém do necessário. Agora isso aparece claramente nos números”, afirma.
O levantamento, elaborado a partir de dados do SPC Brasil, mostra que 87,22% dos inadimplentes são reincidentes, ou seja, permaneceram negativados nos últimos 12 meses ou saíram e retornaram ao cadastro de devedores. Apesar de 42,09% dos consumidores possuírem dívidas de até R$ 1 mil, o valor médio total devido por inadimplente chega a R$ 5.264,13. Em contraste, quem conseguiu recuperar o crédito pagou, em média, R$ 2.126,20 em janeiro de 2026. A maioria das regularizações (66,59%) envolveu pagamentos de até R$ 500, indicando acordos pontuais, mas insuficientes para reduzir o endividamento estrutural.
O dado mais alarmante está no tempo de atraso das dívidas. No Rio Grande do Sul, o atraso médio é de 28 meses, com 34,94% dos devedores concentrados em dívidas entre 1 e 3 anos. Esse fator pesa diretamente na recuperação de crédito, que apresentou queda de 14,47% em relação a janeiro de 2025 — desempenho pior que o do Sul (-11,13%) e do Brasil (-6,82%). As maiores quedas na recuperação ocorreram entre consumidores com dívidas de 4 a 5 anos (-27,5%) e entre aqueles com atrasos de 1 a 3 anos (-20,08%), reforçando o risco de um endividamento crônico no Estado.
Há, porém, um sinal tímido de alívio na comparação mensal. Entre dezembro e janeiro, o RS registrou redução de 0,09% no número de inadimplentes, movimento contrário ao observado no Sul e no Brasil. O crescimento das dívidas por consumidor também desacelerou no período, ficando em 1,04%. Mesmo assim, a fotografia geral é de alerta. Com famílias pressionadas, crédito mais restrito e dívidas cada vez mais antigas, a inadimplência segue como um dos principais obstáculos para a retomada do consumo e da economia gaúcha em 2026.
