Oposição denuncia comunidades de Marcorama e Borguetto no Festival do Grostoli
O que era para ser apenas celebração virou motivo de tensão política e revolta em Garibaldi. Uma denúncia feita em pleno andamento do Festival do Grostoli colocou duas comunidades tradicionais da cidade no centro de uma disputa entre membros da oposição e atual governo da cidade.
As comunidades de Marcorama e Borguetto, responsáveis pela produção de grostoli em um espaço cedido pela prefeitura na garagem do centro administrativo, foi motivo de denúncia à vigilância sanitária da Coordenadoria Regional de Saúde. A denúncia infundada acusava as duas comunidades de irregularidades no armazenamento de alimentos e falta de condições adequadas de higiene no local. O fato foi comentado pelos vereadores na sessão desta segunda-feira (13) e verificada pela nossa equipe, que conversando com algumas pessoas que preferem sigilo, confirmaram que a denúncia foi feita por integrante da oposição.
A denúncia ocorreu justamente no momento em que o festival atingia números históricos. Com público estimado em cerca de 80 mil pessoas, a organização precisou ampliar a estrutura de produção, utilizando diferentes espaços da cidade. Entre eles, a garagem do centro administrativo municipal, que foi adaptada após a retirada dos veículos para abrigar as comunidades envolvidas.
A iniciativa, que visava dar suporte à produção e atender a alta demanda do evento, acabou se tornando alvo de questionamentos. Nos bastidores, a denúncia é atribuída a um representante da oposição, em mais um episódio que reforça o clima de disputa política no município.
Na Câmara, o tom foi de indignação. O presidente do Legislativo, Leandro Delazeri (PP), classificou o caso como “inadmissível” e criticou o que chamou de uso político de denúncias que atingem diretamente trabalhadores e comunidades locais. Já o vereador Lívio Bortolini (PP) seguiu na mesma linha, afirmando que há setores mais preocupados em desgastar a gestão do prefeito Sérgio Chesini do que se preocupar com a população ou auxiliar as pessoas da cidade.
Os parlamentares ainda relembraram episódios anteriores que, segundo eles, seguem o mesmo padrão: a denúncia envolvendo o burrinho da Semana Santa em 2022 e a retirada da estátua de Garibaldi em 2024 para obras no acesso da cidade — casos que geraram grande repercussão e dezenas de manifestações junto ao Ministério Público.
O momento mais inesperado da sessão ocorreu quando a vereadora Luana Meneguetti (MDB) utilizou a tribuna para afirmar que não havia feito qualquer denúncia contra as comunidades. A declaração causou estranheza entre os presentes, já que nenhum nome havia sido citado até então.
Enquanto isso, integrantes das comunidades afetadas relatam frustração e indignação por terem sido expostos durante um evento que simboliza união e tradição local. Até o momento, não há confirmação oficial de irregularidades sanitárias.
O episódio, no entanto, já deixou marcas. Em meio ao sucesso de público do festival, o caso escancara um cenário de disputa política cada vez mais acirrada, onde membros da oposição ainda não se deram conta do resultado das urnas em 2024 que provaram não gostar de muitos atos e artimanhas políticas. “Atacar iniciativas comunitárias que auxiliam várias pessoas apenas para perseguir o prefeito e a administração é um absurdo”, disse um representante de Borguetto que pediu para não ser identificado.
