Vinícola Garibaldi aposta em uvas exóticas para diversificar portfólio
A Cooperativa Vinícola Garibaldi está investindo em variedades de uvas pouco conhecidas no Brasil para desenvolver novos vinhos. A grande novidade é a uva Irsai Oliver, originária da Hungria, que será usada em um vinho branco monovarietal com lançamento previsto para o próximo mês.
O projeto começou em 2019, quando a cooperativa trouxe mudas da Itália, após uma viagem técnica à Vivai Cooperativi Rauscedo (VCR), parceira europeia. Desde então, as plantas são cultivadas em um vinhedo experimental no município de Santa Tereza, onde passam por testes rigorosos de adaptação ao clima, solo e relevo locais, além da resistência a doenças e avaliação de produtividade. “O objetivo é identificar uvas europeias relativamente novas, com menos de 50 anos no mercado, que possam se adaptar bem ao terroir gaúcho e gerar vinhos com perfis aromáticos diferenciados”, explica o enólogo Ricardo Morari, porta-voz da cooperativa.
Além da Irsai Oliver, outras variedades provenientes da Itália, Portugal, Espanha, Geórgia, Ucrânia, Romênia e Grécia também estão sendo avaliadas. Em 2024, a cooperativa lançou seu primeiro vinho com a uva Palava, originária da República Tcheca, como resultado dos experimentos. Os novos rótulos são desenvolvidos pensando nas tendências atuais do consumo: vinhos mais aromáticos, frescos, jovens e de menor teor alcoólico. A produção inicial será pequena, com cerca de 6,5 mil garrafas destinadas ao mercado interno.
No ano passado, a vinícola trouxe a uva Palava. De origem Tcheca da década de 50, a variedade é um cruzamento de Müller Thurgaut e Gewurztraminer. A novidade no Brasil possui perfil aromático rico em compostos terpênicos que compõem o aroma primário do vinho (cítricos e florais).
Fundada em 1931, a Vinícola Garibaldi hoje conta com 470 viticultores associados que cultivam cerca de 1,2 mil hectares em 20 municípios da Serra Gaúcha, consolidando sua posição entre as principais produtoras de vinho do Rio Grande do Sul.
