Com fortes indícios de corrupção e favorecimento, CPI é prorrogada na Câmara
A Câmara de Vereadores de Garibaldi decidiu prorrogar por mais 60 dias a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura possíveis irregularidades, favorecimento e indícios de corrupção na concessão de alvarás para loteamentos no município de Garibaldi. A decisão foi tomada durante a sessão legislativa realizada na segunda-feira (23), diante da gravidade dos fatos já levantados e das dificuldades enfrentadas pela comissão para acessar documentos públicos.
A CPI investiga atos praticados durante o governo do ex-prefeito Antônio Cettolin (MDB), período em que, segundo os vereadores, empreendimentos imobiliários semelhantes teriam recebido tratamentos completamente distintos por parte da administração municipal. Presidente da comissão, o vereador Gilberto Perin (PP) afirmou que a ampliação do prazo foi necessária porque parte dos documentos essenciais simplesmente não foi encontrada nos arquivos do município. Em alguns casos, segundo ele, os registros teriam desaparecido, o que dificulta a reconstrução administrativa dos processos analisados.
Em entrevista ao programa Prato Limpo, Perin foi direto ao afirmar que há fortes indícios de irregularidades e até corrupção. Um dos exemplos citados pelo presidente chama atenção pelo contraste: em determinado empreendimento, a prefeitura exigiu uma série de adequações técnicas que elevaram o custo da obra em cerca de R$ 1 milhão. Já em um empreendimento ao lado, nenhuma exigência semelhante teria sido feita. “Se isso não é favorecimento, não sei como chamar”, declarou.
A CPI foi instaurada justamente para esclarecer como e por que decisões administrativas tão diferentes foram tomadas em processos semelhantes, além de verificar se houve influência política, interesses privados ou violação de normas urbanísticas e administrativas. Com a prorrogação, a comissão pretende aprofundar a análise de documentos físicos e digitais, ouvir servidores públicos, técnicos envolvidos nos processos e representantes dos empreendimentos investigados. Os vereadores também avaliam novas requisições formais à prefeitura na tentativa de localizar arquivos considerados estratégicos para o andamento da investigação. O relator da CPI é o vereador Giovan Flores (PL).
O clima político na cidade é de crescente tensão. As revelações já feitas pela CPI aumentaram a pressão por transparência e respostas claras sobre a atuação do poder público em um dos setores mais sensíveis da gestão municipal: a liberação de loteamentos e a valorização imobiliária.
Até o momento, o ex-prefeito Antônio Cettolin não se manifestou oficialmente sobre a CPI ou das acusações levantadas pela comissão. Os próximos 60 dias devem ser decisivos para definir se as suspeitas resultarão em responsabilizações formais ou no encaminhamento do relatório final aos órgãos de controle e ao Ministério Público.
