Garibaldi: quando o salto alto tropeça na urna
Há quem diga que Garibaldi mudou. Eu diria que Garibaldi acordou. E acordou de um sono profundo, embalado por anos de promessas, obras pela metade e aquele velho costume de alguns políticos acharem que a cidade é propriedade privada de seus partidos e famílias. Em 2024, havia quem já comemorasse a vitória antes mesmo de a campanha começar. Cadeiras foram praticamente “reservadas” e discursos de posse já estavam sendo ensaiados nos corredores da velha política garibaldense. O problema é que esqueceram de combinar com o povo — e o resultado foi um banho de realidade que lavou as urnas da cidade.
Quando Sérgio Chesini assumiu a prefeitura em 2022, herdou um cenário político de novela mexicana. O MDB, via justiça, havia derrubado Alex Carniel (que fazia um mandato diferenciado), como se isso fosse resolver os problemas da cidade. Não resolveu. Pelo contrário, aumentou a bagunça. Mas Chesini, vindo do setor empresarial, arregaçou as mangas e foi trabalhar. Eleito na eleição suplementar ao lado de Valério Mayer com mais de 80% dos votos, ele mostrou que os eleitores não aceitam trapaças, muito menos mentiras.
A reviravolta veio no ano passado, em 2024. Antônio Cettolin, ex-prefeito e nome forte do MDB, juntamente com seu grupo, acreditava que bastava aparecer na urna para ser coroado mais uma vez. Engano. Perdeu em todas — absolutamente todas — as urnas da cidade. Um feito histórico que derrubou não apenas um candidato, mas o salto alto e a soberba de alguns que já ensaiavam a festa da vitória anos antes. As urnas de todo o município mostraram que Garibaldi não possui dono.
O recado dos eleitores foi claro: chega de politicagem, chega de obras de vitrine que caem aos pedaços, chega de gastar energia em intrigas e conchavos. A mudança não é apenas um palpite deste cronista, é uma constatação matemática: a maioria absoluta da cidade cansou de ser enganada. Hoje, quem caminha pelas ruas de Garibaldi percebe que muita gente que ficou anos sem se manifestar sobre política vem aplaudindo o atual governo e se questionando "Porque não enxergamos muitas coisas antes". E a mudança é visível. A Terra do Champanha, que neste ano realiza mais uma Fenachamp, está com o copo meio cheio — e enchendo rápido. Há gente trabalhando para deixar um legado para as próximas gerações, pensando no futuro e não na próxima eleição.
Mas nem tudo é festa. A oposição, que não aceita a ideia de estar fora do poder, segue com a mesma receita de sempre: quanto pior, melhor. Um exemplo cristalino foi o atraso de mais de um ano na construção da pista de motocross e outros esportes na área da Fenachamp. A denúncia, tão absurda quanto política, foi investigada e... surpresa! Arquivada. Nenhuma irregularidade encontrada. O único “crime” ali foi contra o tempo e o dinheiro público: mais de R$ 100 mil gastos pela prefeitura para contratar empresa especializada na área ambiental e responder às acusações, e a comunidade inteira pagando a conta pela espera.
Ainda assim, Garibaldi resiste. Com bons gestores e uma população que aprendeu a dizer “não” para velhas práticas, a cidade volta a respirar aquele ar dos anos 90, quando, no governo de Vandenir Antônio Miotti, carregava com orgulho o título de “Suíça brasileira”.
E fica a lição: política não é herança de família, muito menos propriedade de partido. É contrato de confiança com o povo — e esse contrato, meus amigos, já mudou de mãos.
