Os Defensores da Moral Au Au
O linchamento público mudou de endereço. Não é mais na praça da cidade — é no Facebook, no Instagram, no grupo de WhatsApp. Um adolescente errou, e errou feio: agrediu um cão. A Justiça já sabe, o caso está sendo tratado, e o próprio menino está pagando caro. Mas para um bando de “defensores de animais” — mais parecidos com justiceiros de faroeste digital — não basta a lei. Eles querem sangue.
E não é força de expressão. Gente que se diz “protetora” já foi armada até a casa do garoto. Ameaças contra a mãe, mensagens de ódio dia e noite, perseguição. Crimes maiores que o próprio ato do menor, cometidos sob a bandeira hipócrita do “amor aos animais”. É a nova moda: defender bichos enquanto se desumaniza gente.
A causa animal é justa. Ninguém aqui defende maus-tratos. Mas o que estamos vendo não é defesa — é histeria coletiva. É gente sendo usada como massa de manobra por uma vereadora ambiciosa, sedenta de holofotes e buscando por visibilidade. É política travestida de proteção. É ódio com roupagem de amor.
E as redes sociais… ah, nelas as pessoas se mostram como realmente são. Máscaras caem, palavras envenenadas aparecem. A internet virou um tribunal sem lei, onde qualquer um pode se vestir de juiz, promotor e carrasco ao mesmo tempo. Onde o crime de um adolescente vira combustível para o ego de quem quer likes, aplausos e aparecer.
O menino errou. Precisa de psicólogo, de orientação, de lição — não de ameaça de morte. A mãe não cometeu crime nenhum, mas vive trancada, refém de gente que se acha “protetora”. Talvez esses protetores também precisem de tratamento. Curioso: nossos bisavós que vieram da Itália caçavam passarinhos para comer. Não por crueldade, mas por necessidade. Ninguém os chamou de psicopatas ou assassinos. Hoje, se você não se ajoelha diante do altar da causa animal, é crucificado. Enquanto isso, crianças passam fome, pessoas morrem na fila do hospital, famílias vivem na miséria — mas não rendem curtidas, então ficam invisíveis.
A verdade é dura: animal tem valor, e muito. Mas a vida humana vale mais. E se para “proteger” um bicho você precisa destruir uma pessoa, talvez o animal que precise de domesticação… seja você.
