O anonimato mais ordinário e óbvio da cidade
Em toda cidade pequena existe aquele grupo iluminado, capaz de transformar fofoca em carreira política e print de WhatsApp em arma de guerra. Aqui em Garibaldi não é diferente. Há uma turma que descobriu o jeito mais revolucionário de mudar o mundo: abrindo um perfil fake no Instagram. Nobel da Criatividade, com certeza.
Enquanto o vinho evolui para o champagne, algumas inteligências evoluem para espuminha de detergente. Este é o caso deles, inventando um nome tão elegante quanto cotovelo em mesa de jantar ou tão sutil e discreto quanto uma buzina em velório: “Garibaldi Ordinária” — porque criatividade demais dá trabalho.
O plano dos gênios era simples: Copiar conteúdo dos outros, Inventar o resto, dizer que é jornalismo e rezar para ninguém notar quem está por trás. Só esqueceram de um detalhe: ser anônimo exige talento — e esse grupo possui o mesmo talento de um micro-ondas tentando ser invisível no meio da cozinha.
Cada postagem vinha com a marca registrada da turma conhecida na cidade, até porque é muito difícil perceber quando o texto tem o mesmo vocabulário nível ensino fundamental em recuperação. Afinal, tem gente que consegue ser anônima com a mesma habilidade que um pavão consegue passar despercebido numa biblioteca.
Mas a melhor parte dessa epopeia digital é que o quartel-general da malandragem online, que funciona dentro de um órgão público, não contava com um inimigo poderoso: o botão de denunciar.
A Meta, aquela empresa que às vezes demora três anos pra tirar um vídeo de alienígenas vendendo suplemento, dessa vez foi rápida: PUF!
Perfil derrubado. Foi como se a mãe tivesse apagado a luz do quarto e gritado:
“Chega de brincar de jornalista, vai dormir!”
O desespero veio rápido. Mas os heróis da moral seletiva não desistiram. Ressurgiram como fakes 2.0, talvez acreditando que a segunda temporada seria melhor que a primeira. Spoiler: não foi. Continua a mesma produção amadora, com roteiro chinfrim e elenco que se acha protagonista, mas atua como figurante com Wi-Fi ruim.
Reformularam o perfil, ressurgiram das sombras achando que estavam no auge da astúcia.
Mas continuam com a mesma tática madura de pátio escolar:
“Se a gente inventar bastante, alguém vai acreditar!” E eles seguem firmes, como se fossem uma mistura de Agentes Secretos da colônia com comentaristas de grupinho de Whats.
Enquanto isso, tem quem assista de camarote, deixando que a corda seja puxada por eles mesmos. E olha… eles puxam com vontade. A cada publicação, uma volta a mais no carretel. No final, como toda corda com nó mal dado, alguém vai acabar tropeçando. E caro. Porque gênio anônimo que não tem limite, uma hora encontra o limite do advogado. Tem gente juntando documentação, arquivando prints, contando os capítulos da novela…
Porque tem corda sendo puxada e nó sendo apertado.
E, quando a conta chegar — com boleto timbrado do advogado — vai ter sentença com gosto de uva verde.
Mas eles seguem, firmes, fortes e orgulhosos do próprio ridículo.
E o mais espantoso: não aprendem.
Nem quando caem.
Nem quando são denunciados.
Nem quando a vergonha vira meme.
É quase comovente.
Quase.
🍷 Moral da história
Se você precisa de um perfil fake pra bancar o poderoso,
é porque a única coisa poderosa em você é a insegurança.
E a cidade sabe.
Sempre soube.
Coitados.
Mas ordinários.
