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O anonimato mais ordinário e óbvio da cidade

Porque até para ser ordinário precisa ter competência
30/11/2025

     Em toda cidade pequena existe aquele grupo iluminado, capaz de transformar fofoca em carreira política e print de WhatsApp em arma de guerra. Aqui em Garibaldi não é diferente. Há uma turma que descobriu o jeito mais revolucionário de mudar o mundo: abrindo um perfil fake no Instagram. Nobel da Criatividade, com certeza.

     Enquanto o vinho evolui para o champagne, algumas inteligências evoluem para espuminha de detergente. Este é o caso deles, inventando um nome tão elegante quanto cotovelo em mesa de jantar ou tão sutil e discreto quanto uma buzina em velório: “Garibaldi Ordinária” — porque criatividade demais dá trabalho.

     O plano dos gênios era simples: Copiar conteúdo dos outros, Inventar o resto, dizer que é jornalismo e rezar para ninguém notar quem está por trás. Só esqueceram de um detalhe: ser anônimo exige talento — e esse grupo possui o mesmo talento de um micro-ondas tentando ser invisível no meio da cozinha.

     Cada postagem vinha com a marca registrada da turma conhecida na cidade, até porque é muito difícil perceber quando o texto tem o mesmo vocabulário nível ensino fundamental em recuperação. Afinal, tem gente que consegue ser anônima com a mesma habilidade que um pavão consegue passar despercebido numa biblioteca.

     Mas a melhor parte dessa epopeia digital é que o quartel-general da malandragem online, que funciona dentro de um órgão público, não contava com um inimigo poderoso: o botão de denunciar

     A Meta, aquela empresa que às vezes demora três anos pra tirar um vídeo de alienígenas vendendo suplemento, dessa vez foi rápida: PUF!

     Perfil derrubado. Foi como se a mãe tivesse apagado a luz do quarto e gritado:

     “Chega de brincar de jornalista, vai dormir!”

     O desespero veio rápido. Mas os heróis da moral seletiva não desistiram. Ressurgiram como fakes 2.0, talvez acreditando que a segunda temporada seria melhor que a primeira. Spoiler: não foi. Continua a mesma produção amadora, com roteiro chinfrim e elenco que se acha protagonista, mas atua como figurante com Wi-Fi ruim.

     Reformularam o perfil, ressurgiram das sombras achando que estavam no auge da astúcia.

     Mas continuam com a mesma tática madura de pátio escolar:

     “Se a gente inventar bastante, alguém vai acreditar!” E eles seguem firmes, como se fossem uma mistura de Agentes Secretos da colônia com comentaristas de grupinho de Whats. 

     Enquanto isso, tem quem assista de camarote, deixando que a corda seja puxada por eles mesmos. E olha… eles puxam com vontade. A cada publicação, uma volta a mais no carretel. No final, como toda corda com nó mal dado, alguém vai acabar tropeçando. E caro. Porque gênio anônimo que não tem limite, uma hora encontra o limite do advogado. Tem gente juntando documentação, arquivando prints, contando os capítulos da novela…

     Porque tem corda sendo puxada e nó sendo apertado.

     E, quando a conta chegar — com boleto timbrado do advogado — vai ter sentença com gosto de uva verde.

     Mas eles seguem, firmes, fortes e orgulhosos do próprio ridículo.

     E o mais espantoso: não aprendem.

     Nem quando caem.

     Nem quando são denunciados.

     Nem quando a vergonha vira meme.

     É quase comovente.

     Quase.


🍷 Moral da história

     Se você precisa de um perfil fake pra bancar o poderoso,

     é porque a única coisa poderosa em você é a insegurança.

    E a cidade sabe.

     Sempre soube.

     Coitados.

     Mas ordinários.



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Daniel Carniel

Daniel Carniel

Natural de Garibaldi, Daniel Carniel é formado em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo, e tem experiência em Rádio, TV, Jornal, e Assessoria de Imprensa. Iniciou a carreira na Rádio Planalto AM de Passo Fundo e atuou no Jornal Novo Tempo de Garibaldi, TV Record, e nas rádios Guaíba e Gaúcha de Porto Alegre. Acadêmico de Direito na Escola Superior do Ministério Público integrou a assessoria de imprensa do vice-governador do Rio Grande do Sul entre 2011 e 2014. Atualmente é sócio proprietário da Diffusione Comunicação,empresa que tem sede em Garibaldi RS
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