MDB de Garibaldi descobre que a cidade tem vice-prefeito
Demorou. Não foi um atraso qualquer — foi quase uma escavação arqueológica. Após dois anos de intensas “investigações”, uma meia dúzia iluminada do MDB de Garibaldi finalmente fez a descoberta que promete reescrever os livros de história local: existe um vice-prefeito em Garibaldi.
Sim, caros leitores. Vice-prefeito. Aquela figura mítica que, durante 16 anos, parecia habitar o mesmo plano das lendas urbanas — tipo o monstro do Lago Ness ou uma obra pública entregue antes do prazo. Durante esse longo período em que o MDB governou a cidade só se falava em prefeito. Vice? Talvez um sussurro, um boato, um “dizem que existe”, mas nada confirmado pela ciência política municipal.
Mas eis que surge a nova era: a administração de Sérgio Chesini. E, pasmem, ele não governa sozinho, em um trono dourado cercado de bajuladores — não! Ele divide a gestão com Adriano Carniel. Divide mesmo. Conversa, trabalha junto, toma decisões. Um escândalo para quem estava acostumado a ver o vice como peça decorativa, tipo planta de plástico em repartição pública.
Mas sejamos compreensivos. Durante 16 anos, o conceito de vice-prefeito em Garibaldi era praticamente um personagem fictício. Tipo figurante de filme que aparece por meio segundo e some sem crédito. Ou aquele botão do elevador que você aperta e não serve pra nada — tá ali, mas ninguém sabe explicar o motivo.
Prefeito? Ah, esse sim era figura central, quase mitológica. Um semideus administrativo, cercado de aura e decisões incontestáveis. Porém, o histórico não ajudava.
Houve tempos em que o ex-prefeito Antônio Cettolin (MDB) e o vice-prefeito Flávio Koff (PSDB) tinham uma relação tão próxima quanto dois desconhecidos brigando por um guarda-chuva em dia de chuva. Homem que falava as verdades e não compactuava com coisas erradas, Koff perdeu até a própria sala — um verdadeiro “despejo institucional” promovido pelo MDB naquela época.
E como esquecer o episódio épico do santinho eleitoral com três nomes? Anônio Fachinelli, Antônio Cettolin e Eldo Milani. Uma obra-prima do suspense político. O eleitor olhava, franzia a testa e pensava: “quem governa aqui, afinal? É um trio elétrico administrativo?” Resultado: o povo resolveu o enigma nas urnas e votou maciçamente em Alex Carniel, impondo o início da série de derrotas ao MDB.
Agora, entra em cena a administração Sérgio Chesini/Adriano Carniel — e com ela, um conceito revolucionário, quase subversivo: duas pessoas governando juntas, conversando, se entendendo e… trabalhando. Eu sei, é chocante. Respire fundo...
Agora dá para começar a entender o motivo dos “especialistas” e paraquedistas que tentam fazer jornalismo não destacar só o prefeito Chesini, como se fazia com a administração do MDB. Eles agora fazem questão de sempre frisar “administração Chesini/Carniel”, pois passados dois anos, descobriram que a cidade tem um vice-prefeito.
Mas não sejamos duros. Cada um tem seu tempo. Uns levam dias para entender, já outros levam anos. Quem sabe se parassem de copiar notícias de outros veículos e trocassem a pressa de postar bobagens pela ousadia de pensar, essa descoberta não levaria dois anos.
O importante é que Garibaldi evoluiu. Saiu de um modelo quase monárquico, onde o poder orbitava em torno de uma figura central, para algo mais… digamos… moderno.
Menos coronelismo, menos autoritarismo e mais trabalho conjunto.
Mas não vamos apressar. Descobertas desse nível exigem tempo, maturação e, claro, um certo talento para ignorar o óbvio.
Afinal, nem todo mundo está preparado para lidar com uma informação tão revolucionária quanto… a existência de um vice-prefeito.
